Vale Transporte: Regras para sua empresa

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Você sabia que o Brasil é um dos únicos países do mundo cuja legislação prevê o modelo do Vale Transporte?

Ele é um dos benefícios garantidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que foi sancionada em 1943 pelo então presidente Getúlio Vargas, com o objetivo de regulamentar as relações individuais e coletivas do trabalho. 

Ela unificou toda a legislação que existia no país, determinando todos os benefícios que funcionários que trabalham neste regime devem ter, além de estabelecer todos os direitos trabalhistas.

Desde que foi criada, ela tem sofrido diversas alterações em suas regras, e foi somente em 1985 que o Vale Transporte foi incluso. Hoje, ele já se tornou um dos benefícios mais conhecidos e antigos da nossa legislação, mas que ainda causa grandes dúvidas no mundo corporativo por possuir normas específicas.

Muitos profissionais não sabem como esse benefício funciona de fato, muito menos se todas as empresas são obrigadas a concedê-lo, e como deve ser calculado. Mas garanto que, ao final deste texto, você não terá mais nenhuma dúvida sobre este assunto.

Aqui, você entenderá o surgimento deste benefício, como ele está previsto em nossa legislação, quem tem direito de recebê-lo, e principalmente como calculá-lo, para que sua empresa não tenha nenhum problema envolvendo sua concessão.

Antes de começarmos, confira os tópicos que serão abordados:

Vamos começar.

Como funciona o vale transporte?

Como disse na introdução, o Vale Transporte (VT) é um benefício garantido pela CLT, e nada mais é do que o valor destinado ao deslocamento do colaborador de sua casa até seu local de trabalho, e vice-versa. Ele é concebido a todos os trabalhadores celetistas, sejam domésticos, temporários, efetivos ou noturnos.

Mas o que seria enquadrado nesse deslocamento?

De acordo com nossa legislação, toda soma de segmentos componentes da viagem, como ônibus, metrô e trem. Dessa forma, ele é válido para todo tipo de transporte coletivo público, desde o intermunicipal até o interestadual.  

Antigamente, ele era pago por uma ficha simples de transporte, mas hoje é emitido por um sistema informatizado que irei explicar em detalhes daqui a pouco. 

Esse valor deve ser pago antecipadamente ao funcionário, e logo no momento da contratação, a empresa deve solicitar o preenchimento de um documento no qual o colaborador informará quais linhas de ônibus ou metrô utiliza.

Como esse benefício possui normas específicas e sofreu algumas alterações ao longo do tempo, vamos entender melhor como ele está previsto em nossa legislação.

O que a lei diz sobre vale transporte?

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A primeira lei que regulamentou o uso do Vale Transporte foi a Lei nº 7.418. Ela surgiu em 1985, decretada pelo então presidente José Sarney, e foi criada com o objetivo de garantir mão de obra em todos os setores do país. Na prática, o benefício também representou um acréscimo financeiro ao salário dos colaboradores.

O VT inicialmente surgiu como um benefício facultativo.Porém, a alta inflação da época,  fez com que os preços de diversos produtos aumentassem sem que os salários dos funcionários fossem ajustados. Assim, o governo viu no Vale Transporte uma forma de cobrir essa lacuna econômica.

Dessa forma, foi criada em 1987 a Lei Federal N° 7619, que tornou esse benefício obrigatório. Vale ressaltar que essa foi a única mudança feita em relação à lei anterior, ou seja, ela manteve todas as outras normas sobre a concessão desse benefício.

Mas afinal, o que nossa legislação diz sobre esse benefício?

Além de determinar em seu art. 1º que o vale transporte seja pago antecipadamente para o colaborador utilizá-lo no deslocamento de sua residência até o trabalho e vice-versa.

Seu art. 2º estabelece que esse benefício não possui natureza salarial. Em outras palavras, ele não deve ser considerado como parte da remuneração dos colaboradores, nem ser incluído no cálculo para a Previdência Social ou para o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

Confira na íntegra:

“Art. 2º – O Vale-Transporte, concedido nas condições e limites definidos, nesta Lei, no que se refere à contribuição do empregador:         

a) não tem natureza salarial, nem se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos;

b) não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço;

c) não se configura como rendimento tributável do trabalhador.”

Além disso, essa lei também determina que o custo do VT deve ser dividido entre a empresa e o funcionário, e como não possui natureza salarial, seu valor pode ser descontado em até 6% do salário do trabalhador. Caso o valor a ser pago seja superior, a diferença deve ser arcada pela contratante.

Mas cuidado, não confunda o salário do colaborador com sua remuneração!

O salário é a contraprestação devida ao trabalhador em decorrência da sua prestação de serviços, que é estipulada em seu contrato de trabalho. Já a remuneração, regida pelo art. 457 da CLT, é a soma desse salário previamente estipulado, com outras vantagens que também devem ser estipuladas no contrato, como horas extras, adicional noturno, adicional de periculosidade, comissões e gratificações por exemplo.

Todas essas verbas também serão usadas como base para outros cálculos, como 13º salário, férias e rescisões.

Mudanças do vale transporte com a Reforma Trabalhista

A Reforma Trabalhista entrou em vigor em novembro de 2017, e alterou diversos pontos de nossa legislação. Mas será que o Vale Transporte sofreu alguma mudança?

A resposta é não. Apesar disso, uma mudança significativa que ocorreu e que está relacionada com esse deslocamento é em relação às horas in itinere. Esse termo representa o tempo gasto durante o deslocamento do funcionário de sua casa até a sede da empresa.

Antes da Reforma Trabalhista, o art. 58 da CLT dizia que o tempo gasto pelo funcionário até seu local de trabalho e para seu retorno, não deveria ser computado em sua jornada de trabalho, salvo algumas exceções como em casos de empresas de difícil acesso. Confira o artigo:

“Art. 58 – § 2o O tempo despendido pelo empregado até o local de trabalho e para o seu retorno, por qualquer meio de transporte, não será computado na jornada de trabalho, salvo quando, tratando-se de local de difícil acesso ou não servido por transporte público, o empregador fornecer a condução.”

Após ter sido implementada, contudo, esse período de deslocamento não pode ser mais considerado como parte da jornada dos colaboradores, uma vez que agora, a nova lei entende que durante esse tempo, o funcionário não está à disposição da contratante

Além disso, empresas de pequeno e médio porte eram autorizadas a prever um tempo médio de deslocamento e fixá-lo para que não houvessem alterações, isso somente se fosse aprovado em acordos ou convenções coletivas. Com a Reforma, contudo, essa regra foi revogada.

Nós temos um texto completo sobre as horas in itinere e todas as regras previstas em nossa legislação. Clique e acesse: Horas In Itinere: Está em Vigor? O Que Muda Na Reforma Trabalhista.

Agora vamos ver quando as empresas devem efetuar o pagamento do vale transporte. 

Quando a empresa tem que pagar o vale transporte?

Por lei, toda empresa que contratar um profissional sob o regime da CLT é obrigada a oferecer o Vale Transporte, independente da distância percorrida. Além disso, não há limite mínimo ou máximo para o seu valor.

Para isso, no momento da contratação, o departamento de recursos humanos deve solicitar que o colaborador preencha um documento informando os seguintes itens:

  • Seu endereço residencial completo;
  • Os meios de transporte que usará para se deslocar;
  • A quantidade de vezes que irá se deslocar de sua casa até a empresa, e vice-versa.

Caso o funcionário mude de endereço, ele possui a responsabilidade de avisar o RH da empresa, para que o departamento mantenha essas informações atualizadas e ajuste o valor do benefício, caso seja necessário.

Apesar disso, nossa legislação ainda determina que, caso a empresa disponibilize um meio de transporte para esse deslocamento de ida e volta, ela não é obrigada a conceder esse benefício.

Agora, é muito comum ver empresas que também oferecem um vale combustível à seus funcionários, mas tome muito cuidado, pois ele não é equivalente ao vale transporte!

Esse tipo de benefício só pode ser concedido caso haja um acordo entre a contratante e o contratado, e de acordo com o art. 458 da CLT, ele funciona como uma contraprestação do serviço prestado. Veja:

“Artigo 458 – Além do pagamento em dinheiro, compreende-se no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações “in natura” que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas.”

Ele pode ser fornecido por meio de um cartão específico ou em dinheiro, e como se trata de uma verba salarial, seu valor servirá de base para o cálculo para outras questões como descanso semanal, férias, décimo terceiro, FGTS e horas extras.

Agora, você sabia que por mais que o VT seja um benefício garantido por nossa lei, alguns funcionários podem chegar a não recebê-lo?

Imagino que você tenha ficado confuso, mas não se preocupe, confira o próximo tópico para entender.

Quais funcionários possuem direito ao vale transporte

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De forma geral, todos os funcionários que trabalham sob o regime da CLT têm direito ao vale transporte. Contudo, algumas situações podem fazer com que eles não tenham mais direito ao benefício. Você sabe quais?

O primeiro caso foi citado no tópico anterior, quando a contratante disponibiliza algum meio de transporte particular para o translado desses profissionais. Mas além disso, existem outras situações que podem incidir no não recebimento desse benefício.

Dentre eles, está o caso de funcionários que não utilizam nenhum meio de transporte público para ir trabalhar, realizando o percurso com um veículo automotor, motocicletas, bicicletas, ou até mesmo à pé.

Nesses casos, o colaborador deve informar por escrito que não utiliza o transporte público, para que o Departamento Pessoal não tenha nenhum problema na justiça envolvendo a concessão do VT.

Agora, lembra que eu disse que o colaborador deve preencher um documento informando seu endereço e quais meios de transporte público irá utilizar para se deslocar? 

Caso alguma dessas informações seja falsa, além da contratante ter direito à cancelar a concessão do benefício, o funcionário ainda pode acabar sendo demitido por justa causa.

Por fim, as organizações são dispensadas de conceder o VT para funcionários que tenham acesso ao Passe Livre, ou que beneficiados por programas sociais que garantem o acesso ao transporte público gratuito.

Agora eu te pergunto: quais são as regras do vale transporte para os estagiários?

Vale Transporte para estágio é obrigatório?

Os estagiários são um caso totalmente diferente, uma vez que seus contratos não são regidos pela CLT. Seu trabalho é regido pela Lei nº 11.788/2008, mais conhecida como Lei do Estágio.

De acordo com seu art. 1º, essa modalidade de trabalho é caracterizada como: “ato educativo supervisionado, desenvolvido no ambiente de trabalho”. Dessa forma, essa lei foi criada com o objetivo de garantir a preparação do estudante para ingressar no mercado de trabalho através da aprendizagem profissional.

Além de terem uma carga horária reduzida, o estágio é dividido em duas categorias: obrigatório e não obrigatório. Mas porque estou explicando tudo isso? Por um motivo simples: seu art. 12 estabelece que na categoria não obrigatório, a empresa é obrigada a conceder o VT ao estudante, enquanto na outra categoria, o benefício se torna facultativo.

São muitas regras, não é mesmo? Toda empresa deve saber essas normas para que consiga calcular o valor desse benefício, e para que não tenha problemas decorrentes disso. 

Vale transporte nas principais cidades brasileiras

Cada cidade do país possui seu próprio órgão responsável por administrar o transporte público. Por isso, separei a seguir um breve resumo de como esse sistema funciona em algumas das principais cidades. Veja:

Vale Transporte em São Paulo

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De acordo com a Lei Nº. 13.241, a organização desse serviço na cidade é de responsabilidade da Prefeitura do Município de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal do Transporte.

Para isso, o poder público contratou a empresa de economia mista SPTrans, para desempenhar as seguintes funções:

  • Elaborar estudos para a realização do planejamento do Sistema;
  • Executar a fiscalização da prestação de serviços; 
  • Gerenciar o Sistema de acordo com as diretrizes e políticas estabelecidas.

Na cidade, a utilização do Vale Transporte se dá por meio do Bilhete Único, que unifica a bilhetagem dos sistemas de transporte, e que dá alguns benefícios aos seus usuários. Em 2019, contudo, esses benefícios e regras sofreram algumas modificações por meio de um Decreto, que podem ser vistas na tabela abaixo:

Antes do Decreto

Depois do Decreto

Quantidade de embarques

Permitido 4 embarques em ônibus diferentes, em um período de duas horas, com o pagamento de somente 1 tarifa.

Permitido 2 embarques em ônibus diferentes, em um período de três horas, com o pagamento de somente 1 tarifa.

Prazo para validade

Créditos podiam ser usados em até 5 anos.

Créditos possuem validade de 1 ano

De acordo com a SPTrans, cerca de 1,5 milhão de pessoas utilizam o vale transporte, e hoje, o Bilhete Único possui validade de 5 anos.

Vale transporte no Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, o transporte intermunicipal também se dá pelo sistema do Bilhete Único, que é controlado pela empresa Grande Rio. Esse sistema eletrônico é regido pela Lei Estadual nº 5.628/2009, que determina as normas para seu cadastro e utilização.

Em 2019, essa empresa criou o chamado RioCard Mais, um cartão que dá acesso à todos os tipos de transporte público de 43 municípios da cidade, passando a ser aceito em ônibus, metrô, barcas, trens, VLT e vans legalizadas.

Ele possui três modalidades, sendo o Vale Transporte na cor laranja vinculado às empresas para ser distribuído à seus funcionários, e o na cor azul utilizado somente por companhias, para casos onde seus trabalhadores precisem utilizar o bilhete eletrônico para desempenhar suas funções, como por exemplo entregadores.

Vale Transporte em Belo Horizonte

A BHTrans é a empresa responsável pelo planejamento da mobilidade urbana, assim como pela gestão dos contratos de concessão do serviço de transporte coletivo.

Até alguns anos atrás, as pessoas que utilizavam o transporte público utilizavam bilhetes impressos em papel nos ônibus e cidades. Então, como forma de reduzir a perda desses bilhetes, a empresa criou em 2002 o chamado BHBus Vale Transporte.

Esse sistema de bilhetagem eletrônica trouxe uma maior segurança para a população, e é dividido nas seguintes categorias:

  • Vale Transporte: adquirido pelas empresas ou pessoas jurídicas, e destinado aos colaboradores.
  • Usuário: pode ser adquirido por qualquer usuário do Serviço de Transporte nas modalidades ao Portador  e  Identificado.
  • Benefício: utilizado pelos beneficiários da gratuidade dos serviços de         transporte coletivo (pessoas com   insuficiência renal crônica em terapia renal substitutiva, pessoas com deficiência física, auditiva, mental ou visual, e a pessoas com transtorno do espectro autista).
  • Master: destinado à pessoas com idade igual ou superior à 65 anos, oferecendo gratuidade no transporte público

Vale Transporte em Fortaleza

Em Fortaleza, por sua vez, a administração do transporte público é de responsabilidade do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus).

Para facilitar o deslocamento da população, e para reduzir o uso do dinheiro no transporte ônibus, eles criaram em 2019 o Cartão Transporte Expresso. Dentre suas categorias, uma é o chamado Vale Transporte Eletrônico (VTE), que ainda é subdividido em categorias com cores diferentes de acordo com a região na qual ele será utilizado.

Agora que já vimos como ele é utilizado em algumas das principais cidades, vamos entender melhor como calculá-lo.

Como calcular os descontos do vale transporte?

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Mais acima, eu mencionei que nossa legislação estabelece que as empresas podem descontar até 6% do salário dos colaboradores para custear seu deslocamento. Caso o valor a ser pago seja maior, a diferença deve ser arcada pela contratante. Confira o exemplo a seguir para entender melhor esse cálculo:

Vamos supor que um colaborador tenha um salário base de R$ 1.500,00, trabalhando 22 dias ao mês, e que ele utilize duas conduções diárias: uma para chegar até a sede da empresa, e outra para voltar. No total, ele usa 44 passagens ao mês.

Agora, suponhamos que o valor de cada passagem seja de R$ 3,00, dessa forma, para calcular o valor do benefício, basta multiplicar o total de passagens utilizadas por seu valor unitário. Neste caso: 44 x 3 = R$ 132,00.

Ao aplicar o desconto de 6% em seu salário, o valor que a contratante poderá deduzir dos R$ 1.500,00 será de R$ 90,00. Dessa forma, a empresa terá que arcar com o resto do valor necessitado para o vale transporte: R$ 132,00 – R$ R$ 90,00 = R$ 42,00.

Mas, e se o valor do desconto de 6% for maior do que o custo do VT?

Vamos usar o mesmo exemplo anterior, mas supondo que o funcionário tenha um salário de R$ 3.000,00. Ao aplicar o 6%, teremos um desconto de R$ 180,00, cujo valor é maior do que o custo do vale transporte. 

Nesse caso, a contratante deverá descontar exatamente o valor do benefício, que é R$ 132,00, e não precisará arcar com nenhuma diferença.

Esse cálculo é simples, mas mesmo assim deve ser feito com muito cuidado para que não haja erros em seu valor. Eu vou te dar algumas dicas que irão ajudar o seu RH nessa tarefa, mas antes disso, ainda existem algumas dúvidas importantes sobre esse benefício que preciso explicar.

Dúvidas comuns vale transporte

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De acordo com a pesquisa Barômetro 2016: Bem-estar no Trabalho, comandada pela empresa Ticket, o vale transporte é um dos benefícios mais valorizados, mesmo que esteja previsto por lei.

Essa grande valorização por parte dos profissionais aumenta ainda mais a importância de se ter uma boa gestão desse benefício. Por isso, separei abaixo outras grandes dúvidas que sua empresa deve saber.

Pode pagar o vale transporte em dinheiro?

Até aqui, eu expliquei como as empresas devem realizar o cálculo para o pagamento do Vale Transporte, mas uma grande dúvida que surge é: a contratante pode fazer esse pagamento em dinheiro?

A resposta é não. Isso está estabelecido no art. 5º do Decreto n 95.247/87. Veja o artigo na íntegra:

Art. 5° É vedado ao empregador substituir o Vale-Transporte por antecipação em dinheiro ou qualquer outra forma de pagamento, ressalvado o disposto no parágrafo único deste artigo.

Apesar disso, este mesmo artigo abre duas exceções para que as empresas possam pagar o VT com dinheiro. A primeira delas é caso haja falta ou insuficiência de estoque de vale-transporte pelas Operadoras. Neste caso, a empresa deverá ressarcir o funcionário imediatamente em sua folha de pagamento, como diz o parágrafo único deste artigo:

“Parágrafo único. No caso de falta ou insuficiência de estoque de Vale-Transporte, necessário ao atendimento da demanda e ao funcionamento do sistema, o beneficiário será ressarcido pelo empregador, na folha de pagamento imediata, da parcela correspondente, quando tiver efetuado, por conta própria, a despesa para seu deslocamento.”

A segunda, por sua vez, é caso este tipo de pagamento esteja previsto em acordo ou convenção coletiva, que possuem prevalência sobre o legislado desde a implementação da nova lei. Aqui, vale lembrar que esse valor não possuirá natureza salarial, e deve ser incorporado à remuneração do colaborador.

Como fica o vale transporte no home office?

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O Home Office é um modelo de trabalho que vem tido grande crescimento no Brasil nos últimos anos. Em 2018, segundo o IBGE, 3,8 milhões de pessoas adotavam esse modelo, o maior número já registrado no país.

Também conhecido como teletrabalho, ele é caracterizado por todo serviço que é feito fora da sede da contratante, como dentro de sua própria casa, ou em cafés e espaços de coworking por exemplo.

Sua grande adesão no Brasil se deveu principalmente por seus diversos benefícios, como uma maior produtividade dos colaboradores e maior flexibilidade. Como esse modelo não exige o deslocamento dos funcionários até a empresa, muitos profissionais ficam em dúvida em relação à concessão do vale transporte. 

Afinal, as empresas são obrigadas a pagar esse benefício nesse modelo de trabalho? Não! De acordo com a advogada Fernanda Perregil, em entrevista à UOL:

“Como nesse período de home office não há o deslocamento do empregado entre sua casa e o trabalho, e vice-versa, o vale-transporte pode ser suspenso pela empresa”, declarou.

Vamos para a próxima dúvida.

A empresa precisa pagar o vale transporte nas férias?

De acordo com nossa legislação, todo funcionário tem direito a um período de descanso de 30 dias, após ter completado 1 ano em serviço na empresa. Essas regras estão previstas nos art. 129 ao 133 da CLT, que também determinam a forma como esses dias podem ser concedidos.

Segundo esses artigos, as férias podem ser fracionadas em até três vezes, desde que as organizações sigam as seguintes regras: um dos períodos precisa ter pelo menos 14 dias, e os outros dois períodos não podem ter menos de 5 dias cada.

Como colaborador não estará à disposição da contratante, a empresa não é obrigada a conceder o vale transporte, independente se as férias serão concedidas em uma única vez, ou de forma fracionada.

O que acontece se a empresa não pagar o vale transporte?

Por mais que seja um direito de todo colaborador celetista, é comum ver empresas que acabam não realizando o pagamento do vale transporte. Quando isso acontece, o colaborador pode deixar de comparecer a empresa pela falta de pagamento do VT.

Isso porque o não recebimento desse valor inviabiliza o deslocamento do funcionário até seu local de trabalho.

Além disso, caso o não pagamento do VT se torne frequente, o colaborador pode até entrar com uma ação trabalhista exigindo o pagamento, acrescido de juros e correção monetária.

Nenhuma empresa quer passar por isso, não é mesmo? Então, confira o próximo tópico que separei algumas dicas de como o RH pode ter um gerenciamento eficaz desse benefício, evitando problemas deste tipo.

Dicas para o RH gerenciar o vale transporte

Até aqui, expliquei exatamente o que é o vale transporte e como as empresas devem concedê-lo. Mas, não podemos terminar este texto sem também falar mais sobre o responsável por geri-lo: o departamento de recursos humanos.

Esse departamento é extremamente importante em toda empresa, pois além de lidar com todas as questões burocráticas da contratante, também desempenha papel fundamental na gestão de pessoas, trazendo ações que tragam benefícios como melhorar o clima organizacional, produtividade, o lucro e desenvolvimento da instituição.

Por isso que o papel do RH é tão importante, pois seus responsáveis devem ser capazes não só de lidar com as questões mais burocráticas, como também elaborar as melhores estratégias para reter os profissionais e mantê-los motivados

Afinal, o colaborador é o bem mais precioso de toda organização, pois é somente a partir dele que sua empresa conseguirá se manter funcionando e se destacar no mercado. E como disse mais acima, o fornecimento adequado de benefícios como o vale transporte é extremamente valorizado pelos profissionais no mundo corporativo.

Mas então, qual a melhor forma de otimizar a rotina desse departamento? Existem diversas formas na verdade, mas a grande dica que com certeza irá ajudar a sua empresa nessa tarefa, é por meio da tecnologia, e mais especificamente pela automação de processos.

Com os avanços tecnológicos, cada vez mais ferramentas e sistemas surgiram com o objetivo de otimizar a rotina desse departamento. Dentre esses avanços, está a inteligência artificial, que está cada vez mais presente no mundo corporativo e trazendo diversos benefícios. 

Inteligência Artificial no RH

Muitas pessoas estranham e ficam em dúvida em como a inteligência artificial pode ser usada pelos profissionais de RH, mas saiba que essa prática já é mais comum do que você imagina.

A inteligência artificial (IA) é uma área da ciência da computação que tem o objetivo de estudar e desenvolver aparelhos e sistemas que simulem o raciocínio humano, criando máquinas que sejam capazes de reconhecer padrões, aprender e pensar por exemplo.

No RH, essa tecnologia é usada com o objetivo de automatizar os processos deste departamento, e para trazer melhores resultados para toda a organização. 

Foi a partir do uso da IA que hoje, várias empresas possuem à disposição ferramentas e sistemas que ajudam a alcançar esses objetivos, fazendo com que toda essa gestão seja mais eficiente e estratégica.

Imagino que você esteja se perguntando como a IA pode ajudar no gerenciamento do vale transporte, e a resposta é bem simples: por meio de um sistema de controle de ponto.

Sei que parece confuso, mas calma que eu vou explicar.

Todo mês, o departamento de recursos humanos deve calcular o valor a ser pago do vale transporte, e inseri-lo na folha de pagamento. Quando um funcionário entra de férias, ou possui faltas ou licenças, esse valor com certeza será alterado, e toda empresa precisa de um sistema que gerencie essas informações com segurança e rapidez.

Sabe como isso é possível? Por meio de um controle de ponto.

Esse sistema não é responsável somente por marcar os horários de entrada, pausa para almoço e saída dos funcionários, como também por registrar todas as informações de jornada dos colaborador, como férias, faltas, atrasos e horas extras, que incidem no valor do vale transporte.

Com a inteligência artificial, temos hoje à disposição sistemas modernos e completos, que permitem o gerenciamento dessas informações de jornada em tempo real, e que otimizam o fechamento de folha. Dentre todos esses sistemas disponíveis, o da PontoTel é o mais completo do mercado, e que com certeza irá ajudar a sua organização nessa tarefa.

PontoTel pode ajudar o seu RH

O PontoTel é o melhor sistema de controle de ponto do mercado, pois uniu o registro, tratamento e gestão do ponto em um único lugar. Além disso, ele possui uma série de ferramentas que permitem a gestão de folha dos funcionários de forma muito mais eficiente e em tempo real, o que irá otimizar o controle de pagamento do VT.

Como exemplo, estão os nossos dashboards customizáveis. Esses painéis mostram métricas importantes para realizar planejamentos estratégicos e financeiros, permitindo a visualização de faltas, atrasos, quantidade de horas extras, e muito mais.

Além disso, o painel de acompanhamento dos funcionários também permite que essas informações sejam acompanhadas em tempo real, o que também irá ajudar no fechamento da folha ao final do mês. 

Afinal, em casos de férias ou licenças, o RH não precisará pagar o VT ao colaborador, e portanto, deve rever o valor da remuneração que será paga naquele período. 

Por fim, o PontoTel possui mais de 30 relatórios gerenciais, que permitem que os gestores acompanhem tudo o que está acontecendo na empresa, ou até mesmo em determinadas equipes, o que irá auxiliar ainda mais sua empresa a ter uma gestão estratégica.

Com todas essas ferramentas, posso garantir que o seu RH terá um controle de jornada muito mais eficiente, e conseguirá gerenciar o pagamento do vale transporte com segurança e facilidade.

Agende uma demonstração para conhecer mais sobre o nosso sistema e todas as funcionalidades que irão trazer diversos benefícios para a sua empresa!

Conclusão

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Gerenciar o vale transporte de forma eficaz não é uma tarefa tão fácil, não é mesmo? Não basta somente entender como esse benefício funciona e como está previsto na legislação, sem que sua empresa tenha um bom gerenciamento de seu pagamento.

Por mais que seja um direito previsto em nossa legislação, vimos que existem algumas situações nas quais as organizações podem deixar de concedê-lo. 

Por isso, lembre-se de todas as regras previstas em lei e, principalmente, de investir em um controle de ponto moderno e completo como o da PontoTel, para que seu departamento de recursos humanos consiga gerenciar esse benefício de forma rápida e eficaz.

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