Manter uma comunicação empática no ambiente de trabalho é uma estratégia eficiente para obter um clima mais colaborativo e uma equipe produtiva. No entanto, comunicar-se com empatia nem sempre é uma tarefa fácil. Na verdade, muitas empresas enfrentam problemas por conta de falhas na nesse aspecto.
Segundo a pesquisa “Communication Barriers in The Modern Workplace”, 44% dos profissionais já enfrentaram atrasos ou falhas em projetos devido a problemas de comunicação. Além disso, falhas na comunicação interna contribuíram para aumento do estresse (52%) e desânimo (31%) entre os times.
E a melhor forma de evitar esses problemas é desenvolver a comunicação empática como pilar estratégico na empresa.
Este artigo explicará como desenvolver essa habilidade e integrá-la à cultura organizacional. Para isso, serão abordados os seguintes tópicos:
- O que é comunicação empática?
- Por que essa comunicação é essencial nas empresas?
- Como aplicar a comunicação empática?
- Comunicação empática e liderança: o papel do RH

Boa leitura!
O que é comunicação empática?

A comunicação empática é a habilidade de compreender e compartilhar os sentimentos do outro durante uma conversa. Diferentemente da comunicação assertiva, que prioriza a clareza, ou da comunicação persuasiva, voltada para influenciar, a empática visa a conexão e a compreensão mútua entre as pessoas.
Elementos-chave da comunicação empática
Os elementos que sustentam a comunicação empática são baseados nos pilares da comunicação não violenta (CNV): observação, sentimento, necessidade e pedido. Desenvolvida pelo psicólogo Marshall Rosenberg, a CNV é considerada uma abordagem complementar à empatia.
Afinal, ambas visam melhorar a qualidade das interações humanas e promover relações mais saudáveis. Na prática, essas abordagens se apoiam em elementos como escuta ativa, reconhecimento emocional, linguagem não violenta e autenticidade, que permitem diálogos mais verdadeiros, acolhedores e colaborativos.
Por que essa comunicação é essencial nas empresas?
A comunicação empática é uma das soft skills mais valorizadas por empresas que desejam fortalecer a cultura organizacional e criar ambientes de trabalho mais saudáveis. Entenda o porquê a seguir:
Reduz ruídos e melhora o relacionamento entre equipes
Uma das maiores fontes de retrabalho e conflito nas empresas são os mal-entendidos, problemas que a comunicação empática ajuda a reduzir. Isso porque ela prioriza a escuta ativa e a busca pela clareza, o que melhora a compreensão entre as pessoas.
Outro ponto importante é que, quando os colaboradores se sentem realmente ouvidos e compreendidos, a confiança entre equipes cresce. Os resultados são o fortalecimento de vínculos entre colegas e a colaboração entre departamentos.
Fortalece a liderança e aumenta o engajamento
A empatia é um dos pilares da liderança humanizada, já que transforma a maneira como líderes se conectam com suas equipes. Um líder que se comunica com empatia entende as dificuldades de sua equipe, acolhe diferentes pontos de vista e conduz conversas difíceis com equilíbrio e sensibilidade.
E quando os colaboradores se sentem ouvidos e compreendidos, o engajamento aumenta. Isso porque os funcionários se sentem valorizados e motivados a dar o melhor de si.
Impacta diretamente o clima e a cultura organizacional
Quando a comunicação empática é cultivada, o ambiente se torna mais acolhedor, com menos julgamentos e mais segurança psicológica.
Esses fatores ajudam a criar um clima organizacional mais positivo e uma cultura que estimula a inovação, o aprendizado contínuo e o sentimento de pertencimento.
Como aplicar a comunicação empática?
Esse tipo de comunicação pode ser estimulado e desenvolvido nas empresas. Confira a seguir algumas estratégias para incentivar a empatia no ambiente de trabalho:
Pratique a escuta ativa
Segundo Tuanny Honesko, coordenadora de Marketing, desenvolver a escuta ativa deve ser prioridade nas empresas. Afinal, ela é a base da empatia cognitiva, a habilidade de compreender a perspectiva do outro.
“Eu acredito que a escuta ativa representa 80% do trabalho, pois demonstra o quanto você conhece as pessoas e compreende suas necessidades. Consequentemente, quando você entende as pessoas, a empatia surge naturalmente, juntamente com a compreensão das razões por trás de suas ações”, completa a coordenadora de marketing.
Para desenvolver essa habilidade, é importante se concentrar totalmente no que o outro está dizendo para entender sua perspectiva, evitar interrupções e usar uma linguagem corporal que sinalize atenção.
Reconheça e acolha as emoções das pessoas
Nem sempre é possível eliminar os desafios de um colaborador ou uma equipe, mas reconhecer as emoções envolvidas já é uma forma eficiente de demonstrar empatia. Às vezes, um simples “quero entender o que está acontecendo” já abre espaço para o diálogo e fortalece a relação de confiança.
Use feedbacks construtivos e linguagem positiva
Uma das formas mais eficazes de praticar a comunicação empática é dar feedbacks construtivos. Em vez de apontar erros de forma dura, o ideal é reconhecer o esforço e oferecer sugestões de melhoria com linguagem positiva e orientada para o crescimento da outra pessoa.
Comunicação empática e liderança: o papel do RH

O líder é o principal porta-voz da cultura organizacional, como explica Bruno Rodrigues, CEO e cofundador da GoGood:
“Os principais canais de comunicação que as pessoas do RH têm dentro da companhia não são a intranet, nem o e-mail marketing, nem o mural do refeitório. São os líderes. Eles estão no dia a dia falando com as pessoas.”
No entanto, os dados mostram que existe um abismo entre como os líderes percebem sua própria empatia e como ela é vista por suas equipes. Segundo o relatório State of Workplace Empathy 2024, 55% dos CEOs afirmam liderar com empatia, mas apenas 28% dos colaboradores e 22% dos profissionais de RH compartilham dessa visão.
Essa lacuna afeta o ambiente corporativo. Afinal, a ausência dessa habilidade pode gerar ambientes tóxicos, desmotivação e alta rotatividade. Cabe ao RH atuar como a ponte que fecha essa lacuna, desenvolvendo a comunicação empática como parte do DNA da liderança.
Para isso, o setor pode adotar várias estratégias. O ideal é começar fazendo um diagnóstico baseado em dados, utilizando pesquisas de clima e avaliações 360° para identificar os reais gaps de empatia no ambiente de trabalho.
Com base nessas informações, o RH pode promover treinamentos de comunicação não violenta, workshops de inteligência emocional e ações de desenvolvimento humano, transformando a empatia em uma habilidade tangível para os líderes.
Conclusão
A comunicação empática é a prática de se comunicar a partir de uma compreensão genuína do outro, combinando escuta ativa, validação emocional e uma curiosidade real pelas perspectivas e necessidades alheias.
Essa forma de comunicação é importante nas empresas porque influencia a cultura e o clima organizacional. Ela reduz ruídos, melhora o relacionamento entre equipes e fortalece o senso de pertencimento. Por isso, líderes e colaboradores que se comunicam com empatia criam ambientes mais saudáveis e produtivos.
Na prática, aplicar a comunicação empática exige desenvolver atitudes como ouvir com atenção, reconhecer emoções e usar uma linguagem construtiva e positiva.
Nesse cenário, o RH deve agir de forma estratégica, adotando medidas para transformar a empatia em um valor real dentro da cultura da empresa.
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