Cultura Organizacional

Copa do Mundo na empresa: jogos de 2026 e o que muda na Copa Feminina de 2027

Copa do Mundo na empresa: veja como os jogos de 2026 afetaram expediente e ponto, e o que muda com a Copa do Mundo Feminina de 2027.

Time Pontotel Time Pontotel
13 min de leitura

Na Copa do Mundo masculina de 2026, o Brasil jogou numa segunda-feira às 14h, numa quarta-feira às 19h e também à noite e no fim de semana. Para uma equipe administrativa, cada partida teve um impacto, enquanto para quem trabalha em turnos, a conta foi outra.

Por isso, dizer apenas que a empresa “libera nos jogos” deixa dúvidas sobre escala, folga e ponto: um levantamento da Catho com 420 empresas mostrou que 26,4% dos funcionários não sabiam qual era a política da empresa pra cada partida.

Mesmo com o torneio encerrado, vale olhar quais partidas cruzaram o expediente em 2026 e como a empresa poderia ter organizado a equipe.

Essas respostas ajudam a preparar a próxima edição, a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil e terá uma regra própria sobre possíveis feriados.

Como foram os jogos do Brasil em 2026?

A Copa masculina aconteceu de 11 de junho a 19 de julho de 2026, no Canadá, México e Estados Unidos, com 48 seleções e 104 partidas.

O Brasil disputou cinco jogos. As datas e os horários abaixo são os da tabela oficial da FIFA, no fuso de Brasília.

  • O Brasil empatou em 1 x 1 com o Marrocos em 13 de junho (sábado), às 19h, pela fase de grupos.
  • Contra o Haiti, venceu por 3 x 0 em 19 de junho (sexta-feira), às 21h30.
  • A seleção venceu a Escócia por 3 x 0 em 24 de junho (quarta-feira), às 19h.
  • Na primeira fase eliminatória, venceu o Japão por 2 x 1 em 29 de junho (segunda-feira), às 14h.
  • A campanha terminou nas oitavas, com derrota por 2 x 1 para a Noruega em 5 de julho (domingo), às 17h.

O jogo contra o Japão caiu no meio do expediente de muitas empresas. Uma pausa de duas horas, mais o tempo para organizar a saída e o retorno, poderia ocupar boa parte da tarde.

Já o jogo contra a Escócia começou às 19h. Teve menos efeito para quem encerrava a jornada às 18h, mas atingiu equipes noturnas, comércio e serviços em funcionamento naquele horário.

Os jogos de sábado, domingo e da noite de sexta também pediram atenção de quem manteve plantões ou trabalha por escala.

O impacto não foi só no Brasil. Uma pesquisa da UKG com 8.000 trabalhadores em 8 países estimou uma perda de US$ 17 bilhões em produtividade durante o torneio.

Dados apontaram que 27% dos entrevistados previram que perderiam tempo de trabalho com atrasos, saídas antecipadas ou faltas, e 42% dos gestores planejavam tirar ao menos um dia de folga no período.

O que definir antes de liberar a equipe?

A política da empresa sobre a Copa do Mundo cabe em uma página, desde que responda às perguntas certas.

O colaborador precisa saber se vai trabalhar, quando poderá assistir à partida e como a empresa tratará esse período na folha. Os times de RH, DP e lideranças precisam combinar os pontos abaixo antes de comunicar a decisão.

  • Quais equipes podem parar e quais precisam manter atendimento ou produção;
  • Se haverá transmissão na empresa, saída antecipada, mudança de horário ou expediente normal;
  • Se a pausa será abonada ou compensada, e qual regra se aplica a cada grupo;
  • Como registrar entrada, saída e retorno quando houver intervalo para o jogo;
  • Quem responde a dúvidas e corrige lançamentos antes do fechamento da folha;
  • Como a regra chegará a quem trabalha fora da sede ou em turno diferente;

A próxima seção mostra, com exemplos reais dos jogos de 2026, como cada resposta muda dependendo do horário da partida.

Os jogos da Copa de 2026 foram feriados?

imagem da bandeira do brasil

Não houve feriado nacional automático para a iniciativa privada por causa dos jogos do Brasil em 2026.

Uma partida não altera, por si só, a jornada contratada. A Lei nº 9.093/1995 trata dos feriados civis, e cada empresa precisava conferir a regra aplicável à sua localidade e categoria.

Algumas administrações públicas mudaram o expediente dos próprios servidores durante os jogos.

Mas, um ato desse tipo não libera automaticamente funcionários de empresas privadas.

Para a equipe, vale comunicar com clareza se a empresa manterá o trabalho, abonará o período ou adotará compensação válida.

Como organizar pausas e folgas durante os jogos da Copa?

imagem com 4 pessoas em frente a um notebook conversando e interagindo

A escolha começa pela escala: quem irá trabalhar na hora do jogo e quem precisa manter a operação?

Com essa resposta, a empresa consegue definir se haverá transmissão, pausa ou liberação e avisar como tratará as horas.

Por exemplo, uma equipe administrativa pode parar, enquanto uma loja talvez precise revezar. Na mesma pesquisa da Catho, 60% das empresas disseram que os jogos coincidiram com o horário de trabalho: entre as medidas adotadas, 26% transmitiram as partidas no próprio ambiente de trabalho e 24% liberaram os funcionários antes do jogo. Veja abaixo algumas alternativas:

  • A empresa pode manter o expediente e transmitir o jogo em um espaço reservado, desde que as atividades essenciais tenham cobertura. O comunicado precisa explicar se assistir à partida é uma pausa autorizada.
  • Também pode fazer uma pausa durante a partida. Nesse caso, RH e DP definem o período e informam se as horas serão abonadas ou compensadas.
  • Mudar o horário de entrada ou saída abre espaço para o jogo quando a nova jornada respeita os descansos e a norma coletiva aplicável.
  • Se optar por dar folga no dia, a empresa deve decidir se a ausência será abonada ou compensada e quem cobrirá o trabalho de quem sair.
  • Com o revezamento, parte da equipe acompanha a partida enquanto outra mantém o atendimento. A escala mostra quando cada grupo para e retorna.

O jogo contra o Japão, em 29 de junho de 2026, às 14h, mostrou por que esses detalhes importam.

Se uma empresa tivesse parado das 13h30 às 16h, o anúncio de “expediente liberado” deixaria dúvidas.

A equipe precisaria saber quando voltar e se as duas horas e meia seriam abonadas ou compensadas. Se o atendimento continuasse, a escala também teria de indicar quem ficaria com os clientes durante a partida.

Já contra a Escócia, em 24 de junho, às 19h, o problema era outro. Quem encerrava a jornada às 18h talvez não precisasse de ajuste.

Uma fábrica em troca de turnos, porém, teria de pensar na cobertura dos postos e no deslocamento de quem entrava ou saía.

Nesse cenário, o revezamento só funciona se o gestor combinar os horários com antecedência e o DP souber como cada pausa aparecerá no ponto.

Nos jogos de sábado, 13 de junho, e domingo, 5 de julho, a decisão se concentrava nos plantões.

Quem não estava escalado já tinha o dia livre; quem trabalhava precisava saber se manteria a jornada ou teria uma pausa. O mesmo valia para a equipe noturna na partida contra o Haiti, em 19 de junho, às 21h30.

Quem trabalha fora da sede também precisa receber a regra e saber como registrar a jornada. A transmissão pode ser um convite.

Quem não quiser assistir deve ter uma alternativa de trabalho ou descanso compatível com a decisão da empresa.

Quando usar banco de horas?

O banco de horas é uma possibilidade para compensar uma liberação, desde que exista base adequada para o arranjo.

O art. 59 da CLT prevê acordo individual escrito com compensação em até seis meses.

Ele também admite compensação dentro do mesmo mês por acordo individual, tácito ou escrito. Já para prazos de até um ano, o dispositivo trata do acordo ou convenção coletiva, observados os limites de jornada.

No entanto, isso não obriga a lançar toda pausa como saldo negativo.

A empresa pode registrar a pausa como abono, deixar o expediente seguir normalmente ou aplicar outro tratamento previsto na sua política interna.

Se decidir compensar, o DP deve conferir a norma coletiva aplicável, o regime de trabalho e os limites da categoria antes de criar o saldo.

O comunicado precisa deixar estas informações acessíveis à equipe:

  • Qual período a empresa dispensará ou pausará.
  • Se o período será abonado ou entrará no banco de horas.
  • Como e até quando ocorrerá a compensação, quando prevista.
  • Onde o colaborador verá o lançamento e como poderá questioná-lo.

O prazo de compensação, o tipo de acordo e a categoria precisam ser verificados no caso concreto.

O que registrar no ponto?

O espelho de ponto deve contar a mesma história que o comunicado. Se a pessoa saiu para assistir ao jogo e voltou, o registro e o tratamento desse período precisam refletir o que ocorreu.

Se a empresa abonou a pausa, o DP não deve deixar um débito sem explicação. Se houve compensação, o colaborador precisa conseguir acompanhar o saldo.

No exemplo do jogo contra o Japão, mostrado antes, o lançamento de saída e retorno não diz sozinho se a empresa abonou a pausa ou lançou um débito no banco de horas.

O código de tratamento e o comunicado interno precisam responder a essa pergunta. Quem continuou trabalhando durante o jogo também deve ter as próprias marcações conferidas, inclusive eventuais horas além da escala.

Antes de fechar a folha, vale conferir os registros e os tratamentos aplicados.

  • Compare o horário anunciado com as marcações de entrada, saída e retorno.
  • Separe abono, folga, feriado e compensação. São tratamentos diferentes.
  • Procure saldos negativos inesperados e ajustes sem responsável identificado.
  • Confira se quem manteve a operação fez horas além da escala prevista.
  • Resolva divergências com o gestor e com o colaborador antes do fechamento.

Uma plataforma de gestão de ponto ajuda a organizar registros e exceções de equipes com horários diferentes.

A Pontotel pode apoiar essa conferência, mas a definição sobre abonar ou compensar as horas continua sendo da empresa, conforme as regras aplicáveis.

Como planejar a Copa Feminina de 2027?

imagem de um homem sentado segurando uma bola de futebol

A FIFA confirmou a Copa do Mundo Feminina no Brasil entre 24 de junho e 25 de julho de 2027. Serão 32 seleções e 64 partidas em oito cidades-sede. A tabela divulgada pela FIFA já traz as três datas do Brasil na fase de grupos.

  • O Brasil estreia em 24 de junho (quinta-feira), no Maracanã, no Rio de Janeiro.
  • O segundo jogo será em 29 de junho (terça-feira), na Arena Itaquera, em São Paulo.
  • A terceira partida da fase de grupos está marcada para 4 de julho (domingo), no Estádio Nacional, em Brasília.

O padrão de 2026 ajuda a preparar a escala, mas os jogos de 2027 ainda exigem uma decisão própria. O RH já pode adiantar parte do trabalho.

  • Marcar 24 e 29 de junho nas escalas das unidades que funcionam em dias úteis.
  • Conferir os plantões de domingo, 4 de julho, antes de prometer uma liberação geral.
  • Nas cidades-sede, acompanhar os atos locais sobre jogos realizados no município, mesmo quando o Brasil não estiver em campo.
  • Definir quem atualizará a escala e avisará a equipe se o Brasil avançar de fase.

Os adversários e eventuais partidas eliminatórias dependem do torneio.

Antes de divulgar horários, confirme a tabela oficial e o fuso usado para cada unidade. A empresa também deve comunicar quem fará a cobertura se parte da equipe assistir à partida.

Os jogos da Copa Feminina podem ser feriado?

Podem, se houver declaração pelo governo competente. O art. 66 da Lei nº 15.421/2026 diz que “a União poderá declarar como feriados nacionais” os dias de jogos da seleção brasileira durante a Copa Feminina.

O mesmo artigo permite que estados, Distrito Federal e municípios que sediarão eventos oficiais declarem feriado ou ponto facultativo nas datas de jogos em seu território.

O verbo “poderá” faz diferença. A lei autoriza a medida mas não transforma todas as partidas em feriado desde já.

Perto de cada jogo, o DP precisará verificar os atos publicados, a localidade da unidade e a norma coletiva aplicável.

Um ponto facultativo anunciado para um órgão público não se estende por conta própria a toda empresa privada.

Se houver feriado declarado para uma data de 2027, a empresa deve conferir as regras de trabalho em feriados para sua atividade e localidade antes de repetir a política usada em 2026.

Perguntas frequentes

A empresa é obrigada a liberar funcionários para ver os jogos?

Em 2026, os jogos do Brasil não criaram liberação geral para empresas privadas. A decisão de interromper o expediente dependia da política da empresa e das regras aplicáveis ao contrato.

Para 2027, será necessário verificar também se a data recebeu declaração de feriado, qual é o alcance do ato e o que diz a norma coletiva.

Qual jogo de 2026 caiu no horário comercial?

Brasil x Japão começou às 14h de segunda-feira, 29 de junho, no horário de Brasília. Foi o caso mais direto para equipes com expediente diurno.

Escócia x Brasil começou às 19h de quarta-feira, 24 de junho e afetou sobretudo jornadas que chegavam à noite.

Os outros jogos ocorreram na noite de sexta, no sábado ou no domingo.

Todos os jogos do Brasil na Copa Feminina de 2027 serão feriados?

Não automaticamente. O art. 66 da Lei nº 15.421/2026 autoriza a União a declarar feriados nacionais nos dias de jogos do Brasil e permite declarações locais nas condições previstas.

O RH deve consultar os atos publicados perto de cada partida, inclusive se houver classificação para a fase eliminatória.

Ponto facultativo de prefeitura vale para empresa privada?

Não, um ato de ponto facultativo costuma definir seu próprio público, frequentemente órgãos da administração pública.

Ele não deve ser tratado como folga automática para empresas privadas. Por isso, confirme o texto do ato, a legislação local, a categoria e eventual norma coletiva antes de alterar a escala.

A empresa pode abonar a pausa durante o jogo?

Sim, pode optar por abonar o período, se a decisão for compatível com as regras aplicáveis.

Nesse caso, deve comunicar o tratamento e registrá-lo de maneira coerente. Se optar por compensação, precisa observar a forma de acordo e os limites previstos na CLT e na norma coletiva aplicável.

O que fazer com quem trabalha em turnos ou fora da sede?

Monte a escala antes do jogo, explique quem fará a cobertura e ofereça instruções de ponto acessíveis a todos.

Uma política que só funciona para o expediente administrativo cria dúvidas para equipes externas e para quem trabalha à noite ou no fim de semana.

Conclusão

Os horários da Copa de 2026 mostraram que “dia de jogo” não é uma categoria de jornada. Brasil x Japão caiu numa segunda-feira à tarde; Brasil x Haiti, numa sexta-feira à noite.

Cada equipe precisava de uma escala e de um tratamento de ponto coerentes com o horário em que realmente trabalhou.

Para 2027, marque os jogos da Copa Feminina, confira se houve declaração de feriado e publique a regra de cada equipe antes da partida. Registre abono ou compensação conforme o combinado. Os guias de jornada de trabalho e escala de trabalho ajudam a detalhar o planejamento.

Se o desafio for acompanhar pausas, turnos e compensações em várias equipes, veja como a Pontotel organiza o controle de ponto e avalie a configuração adequada à empresa.

Foto de Time Pontotel
Escrito por

Time Pontotel

O Time Pontotel é composto por especialistas em administração, recursos humanos, direito e tecnologia, com experiência em controle de ponto digital e legislação trabalhista. Nossos recursos vêm de fontes oficiais, como o site do Governo Federal e a CLT. Além disso, passam por uma revisão conjunta do departamento jurídico e de Recursos Humanos. Esse processo assegura dados precisos e atualizados, convertendo alterações legislativas em diretrizes claras para empresas que desejam eficiência e conformidade.

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