A contratação PJ tem ganhado espaço no mercado de trabalho como uma alternativa flexível e menos onerosa para as empresas.
No entanto, apesar das vantagens fiscais, esse modelo exige atenção especial a regras legais, custo real da operação e cuidados para evitar passivos trabalhistas.
Neste artigo, será explicado como funciona a contratação PJ, quais são os tipos de empresa mais utilizados, o que diz a legislação atual, quando optar por esse modelo em vez da CLT e como calcular corretamente os valores envolvidos.
Entenda o tema por meio dos tópicos abaixo:
- O que é o modo de contratação PJ e como funciona?
- Quais são as regras legais para contratação PJ hoje?
- Contratação PJ vs. CLT: qual a diferença para a empresa?
- Como calcular o custo real da contratação PJ para a empresa?
- Como contratar um PJ corretamente?
- Conclusão

Continue a leitura e descubra os pontos mais importantes para contratar pessoa jurídica com segurança, economia e conformidade legal.
O que é o modo de contratação PJ e como funciona?
A contratação PJ ocorre quando uma empresa contrata outra pessoa jurídica (geralmente um profissional autônomo formalizado) para prestar serviços sem vínculo empregatício.
Nesse modelo, o profissional é responsável por sua própria carga tributária, emite nota fiscal e não está sujeito às regras típicas da CLT, como subordinação direta, jornada de trabalho fixa ou benefícios trabalhistas obrigatórios.
Contratação PJ via MEI, ME e outras naturezas: qual escolher?
Ao contratar um profissional como PJ, a empresa não estabelece um contrato de trabalho tradicional, mas sim um contrato de prestação de serviços entre duas pessoas jurídicas. O trabalhador, neste caso, emite notas fiscais, define seu próprio regime tributário e não tem direito a benefícios típicos da CLT, como férias, 13º salário ou FGTS.
A escolha da natureza jurídica ideal depende do perfil do profissional, do volume de faturamento e do tipo de serviço prestado. As opções mais comuns são:
- MEI (Microempreendedor Individual): recomendado para profissionais com receita bruta de até R$ 81 mil por ano, com carga tributária reduzida, mas limita a atuação a atividades permitidas e é possível contratar apenas um funcionário;
- ME (Microempresa): mais flexível em termos de atividades permitidas e faturamento (até R$ 360 mil por ano), permitindo maior liberdade na prestação de serviços e contratação de equipe;
- EPP (Empresa de Pequeno Porte): ideal para profissionais com crescimento rápido ou que atendem múltiplos clientes, com receita de até R$ 4,8 milhões por ano;
- LTDA (Sociedade Limitada): geralmente usada em parcerias entre profissionais, mas pode ser escolhida por um único sócio com maiores responsabilidades legais e estrutura operacional.
A decisão sobre qual natureza jurídica adotar deve considerar também o regime tributário (Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real), o impacto na carga fiscal e a imagem profissional perante os contratantes.
Quais são as regras legais para contratação PJ hoje?

A contratação PJ é legal no Brasil, desde que não reproduza os elementos que caracterizam vínculo empregatício, como subordinação, pessoalidade, habitualidade e controle de jornada direto.
“É realmente muito importante fazer uma análise para entender como cada área e o próprio modelo de negócio dialogam com a legislação”, alerta Pedro Henrique Lopes Silva, líder de Compliance da Pontotel.
A legislação brasileira permite que empresas contratem pessoas jurídicas para prestação de serviços, desde que seja uma relação comercial. O principal risco surge quando a contratação de funcionário PJ é utilizada para mascarar uma relação de emprego, prática conhecida como pejotização.
Na análise jurídica, não importa apenas o contrato assinado, mas principalmente a forma como o trabalho ocorre na prática. Se o dia a dia do profissional se assemelha ao de um empregado CLT, a empresa pode ser responsabilizada judicialmente.
O que diz a legislação sobre controle de horário para PJ?
A lei não proíbe que um profissional PJ tenha horários alinhados com a operação da empresa, mas impõe limites claros. O controle de jornada é um dos fatores mais sensíveis na caracterização de vínculo empregatício.
De acordo com especialistas da Rede de Observatórios do Trabalho, a substituição de vínculos formais por contratação PJ compromete os direitos trabalhistas básicos e a própria proteção social, gerando perdas para a Previdência e para o FGTS.
Quando a empresa exige cumprimento de horário fixo, registro de ponto ou disponibilidade contínua, aumenta significativamente o risco de reconhecimento de relação trabalhista.
Quais os riscos da contratação PJ com horário fixo?
A contratação PJ com horário fixo é um dos principais gatilhos para ações trabalhistas. Isso ocorre porque a exigência de jornada rígida aproxima o profissional PJ da figura do empregado formal.
Caso o vínculo seja reconhecido judicialmente, a empresa pode ser condenada ao pagamento retroativo de férias, 13º salário, FGTS, horas extras, multas e encargos previdenciários. Além do impacto financeiro, há riscos reputacionais e fiscais que afetam diretamente o RH e a gestão do negócio.
É possível usar controle de ponto com pessoa jurídica sem gerar vínculo?
Em regra, o uso tradicional de controle de ponto para PJ não é recomendado. Ferramentas que registram entrada, saída e horas trabalhadas reforçam a ideia de subordinação e habitualidade.
O caminho mais seguro é adotar mecanismos focados em entrega, como gestão de projetos, gestão de metas, prazos ou SLA. Dessa forma, a empresa acompanha resultados sem interferir na autonomia do prestador de serviços, preservando a natureza da contratação PJ.
Contratação PJ vs. CLT: qual a diferença para a empresa?
A principal diferença entre a contratação PJ e CLT está no modelo de contratação, no custo total para a empresa e no nível de responsabilidade trabalhista assumida.
Na CLT, a empresa contrata um empregado com vínculo formal, assume encargos obrigatórios e exerce poder diretivo sobre a atividade. Já na contratação PJ, a relação é comercial, baseada na autonomia do prestador de serviços e na entrega de resultados previamente acordados em contrato.
Do ponto de vista do RH, essa diferença impacta diretamente o orçamento, a gestão de pessoas, os riscos jurídicos e a estrutura de processos internos.
Quando a empresa deve optar por CLT em vez de contratação PJ
A CLT é o modelo mais adequado quando a função exige presença contínua, integração direta à rotina empresarial e cumprimento de ordens hierárquicas. Atividades estratégicas, operacionais ou que demandam exclusividade e controle frequente tendem a se enquadrar melhor no regime celetista.
Sempre que houver necessidade de horário fixo, metas diárias impostas, avaliação de desempenho ou dependência direta do gestor, a contratação PJ deixa de ser a opção mais segura. Nesses casos, insistir no modelo pode aumentar o risco de passivo trabalhista.
Quais benefícios o profissional perde ao ser PJ? E isso impacta a empresa?
Ao atuar como PJ, o profissional não tem acesso a direitos previstos na CLT, como férias remuneradas, 13º salário, FGTS, aviso-prévio e seguro-desemprego. Estes benefícios passam a ser responsabilidade do próprio prestador, que deve precificar seus serviços considerando essa ausência de proteção.
Para a empresa, isso representa redução de custos, mas também exige maturidade na gestão de contrato. Profissionais PJ tendem a negociar valores mais altos e podem ter menor retenção no longo prazo, o que impacta planejamento, cultura organizacional e continuidade das operações.
Como calcular o custo real da contratação PJ para a empresa?

O custo real da contratação PJ vai além do valor da nota fiscal e deve considerar impostos, riscos jurídicos, reajustes contratuais e impactos operacionais.
Um dos erros mais comuns ao contratar profissional PJ é comparar apenas o salário CLT com o valor mensal do contrato PJ.
Embora a contratação como Pessoa Jurídica reduza encargos diretos, ela envolve outros fatores que precisam entrar no cálculo para evitar decisões financeiras distorcidas.
O Relatório Geral da Justiça do Trabalho 2024 mostra que, apenas em 2024, a Justiça trabalhista julgou 4.000.793 processos, um aumento de 14,3% em relação a 2023, maior volume dos últimos 20 anos.
Em paralelo, a Semana Nacional da Conciliação Trabalhista de 2023 movimentou cerca de R$ 1,2 bilhão em acordos em apenas cinco dias, evidenciando a dimensão financeira que conflitos trabalhistas podem assumir para as empresas.
Para o RH, o custo real está ligado à previsibilidade, à segurança jurídica e à sustentabilidade da relação ao longo do tempo.
Quanto custa transformar um CLT em PJ?
Além do aspecto legal, o cálculo financeiro precisa considerar a diferença entre salário líquido e salário bruto, bem como a nova carga tributária assumida pelo prestador.
Em geral, o valor do contrato PJ tende a ser maior que o salário líquido CLT, pois o profissional passa a arcar com impostos, previdência, benefícios e períodos sem faturamento.
Do ponto de vista financeiro, o custo da contratação PJ só se justifica quando há autonomia real, escopo bem definido e ausência de elementos típicos da relação de emprego. Caso contrário, o modelo pode gerar prejuízo no médio e longo prazo.
Como contratar um PJ corretamente?
A contratação PJ deve ser tratada como uma relação comercial entre empresas, e não como uma adaptação informal do vínculo empregatício. Isso começa na definição do escopo do serviço e se estende à forma como o profissional é gerido no dia a dia.
O contrato precisa deixar claro que não há subordinação, controle de jornada ou exclusividade, além de especificar entregas, prazos, valores e responsabilidades.
Quais erros comuns as empresas cometem ao contratar PJ?
Existem alguns erros que comprometem a empresa.
- Aplicar regras típicas da CLT a um profissional PJ: exigência de horário fixo, participação em rotinas internas como empregado, ordens diretas constantes e ausência de autonomia na execução das atividades;
- Informalidade contratual: contratos genéricos, sem definição clara de escopo e critérios de entrega, enfraquecem a natureza comercial da relação;
- Transformar um funcionário CLT em PJ: quando feito sem alterar a dinâmica do trabalho, aumenta significativamente o risco de caracterização de pejotização fraudulenta.
Para reduzir riscos, o RH deve alinhar jurídico, financeiro e gestores, garantindo que a contratação de funcionário PJ seja coerente, documentada e sustentável ao longo do tempo.
Conclusão
A contratação PJ pode ser uma estratégia eficiente para empresas que buscam flexibilidade no trabalho, redução de encargos e acesso a profissionais especializados. No entanto, esse modelo exige maturidade na gestão e alinhamento rigoroso entre contrato, prática operacional e legislação trabalhista.
Para o RH, o principal desafio está em equilibrar economia e segurança jurídica. Quando a contratação de profissional PJ respeita a autonomia do prestador, define claramente entregas e evita elementos típicos da CLT, os riscos são reduzidos e a relação se torna sustentável. Já o uso inadequado do modelo pode gerar passivos elevados e impactos diretos na reputação da empresa.
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