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Time Pontotel 14 de janeiro de 2026 Gestão Empresarial

O que faz um CEO de verdade? Papel, salário, rotina, diferenças entre cargos e influência dele na cultura e produtividade da empresa

O que faz um CEO de verdade? Veja rotina, salário, diferenças de cargos, competências e impacto desse líder na cultura da empresa.

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O termo CEO (sigla de Chief Executive Officer) identifica o executivo que concentra a tomada de decisão mais crítica da organização: definir prioridades estratégicas,  traduzi-las em metas e alocação de recursos, e responder por desempenho perante conselho, investidores e mercado. 

Na prática, isso envolve escolhas concretas e recorrentes, por exemplo, onde investir e onde cortar, quais líderes manter ou trocar, como desenhar a estrutura de execução, quais riscos são inaceitáveis e que padrão de cultura será tolerado no dia a dia.

Neste artigo, você vai entender o papel real do CEO — desde as decisões estratégicas do dia a dia até as diferenças em relação a outros cargos C-Level, o modelo de contrato, a faixa de remuneração no Brasil e as competências que sustentam uma liderança de alto impacto.

Os tópicos a seguir contemplam o entendimento: 

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Continue a leitura para desvendar o papel de liderança que transforma as organizações.

 

O que é um CEO e qual o seu papel na empresa?

CEO é o cargo de maior autoridade executiva em uma organização, responsável por liderar estratégias de negócio, tomada de decisões corporativas e representar a empresa perante o mercado e investidores.

O termo CEO surgiu nos Estados Unidos e foi adotado globalmente como sinônimo do principal responsável pela gestão empresarial. No Brasil, essa função costuma ser associada ao cargo de diretor-executivo, embora a estrutura e o nível de autonomia possam variar conforme o modelo de governança e o porte da organização.

Seu papel vai muito além da operação: ele atua como ponte entre o conselho administrativo e as lideranças internas. Cabe a esse profissional garantir o alinhamento estratégico e a execução, mantendo a competitividade empresarial e a sustentabilidade financeira

Como liderança máxima, o CEO define o rumo estratégico da empresa e cria os mecanismos necessários para que todas as áreas estejam alinhadas, compartilhem a mesma visão e atuem em direção aos objetivos organizacionais,  mesmo sem contato direto com cada colaborador.

“Na minha visão, ser líder no contexto atual envolve algo que se tornou a realidade de muitos líderes que é liderar pessoas que não estão com você todos os dias.””, comenta Daiane Jales – Coordenadora de Sucesso do Cliente da Pontotel, ao destacar os desafios da liderança em ambientes distribuídos.

Exemplos de CEOs bem-sucedidos

No Brasil, Luiza Helena Trajano é amplamente reconhecida como referência em liderança estratégica à frente da Magazine Luiza. Segundo informações da página Quem Somos da própria empresa, sob sua gestão, a Magazine Luiza iniciou um processo de digitalização e expansão agressiva, que culminou em mais de R$ 65 bilhões em vendas, presença em 917 cidades e um time com mais de 37 mil colaboradores

Frederico Trajano, atual CEO da companhia, liderou a integração total entre e-commerce, lojas físicas e logística, fortalecendo o modelo omnichannel do Magalu e ampliando sua eficiência operacional, o que consolidou a empresa como referência em transformação digital no varejo nacional.

No cenário internacional, Satya Nadella assumiu a Microsoft em 2014 e impulsionou uma mudança estratégica voltada para serviços em nuvem, cultura colaborativa e foco em IA. Sob sua liderança, um investimento de US$ 10 mil na Microsoft teria se transformado em mais de US$ 114 mil até 2024, segundo a Nasdaq

Quando o CEO não é o dono da empresa?

É comum o CEO não ser o dono nem o fundador, especialmente em companhias com conselho e estrutura formal de governança. 

De acordo com o G20/OECD Principles of Corporate Governance (2023), cabe ao conselho selecionar o CEO, supervisionar e monitorar o desempenho dos principais executivos e, quando necessário, substituí-los, além de conduzir o planejamento de sucessão.

Essa separação também aparece como prática recomendada para reduzir a concentração de poder. Conforme o Código Brasileiro de Governança Corporativa (Companhias Abertas), “o diretor-presidente não deve acumular o cargo de presidente do conselho de administração”, justamente para não prejudicar o dever de monitoramento do conselho sobre a diretoria

 

Diferença entre CEO e cargos C-Level

Organograma de cargos C-Level

O grupo chamado de C-Level refere-se a cargos que começam com a letra “C”, de “Chief” (chefe), que são especialistas em suas áreas e respondem diretamente ao CEO.

Confira abaixo a relação de C-levels que podem existir em uma empresa: 

Cargo C-levelMissão central
CEO (chief executive officer)Direção estratégica e performance geral da empresa
COO (chief operating officer)Execução do plano e eficiência operacional
CFO (chief financial officer)Saúde financeira, controle e gestão de riscos financeiros
CTO (chief technology officer)Estratégia e entrega de tecnologia (produto e arquitetura)
CIO (chief information officer)Tecnologia corporativa e sistemas internos
CISO (chief information security officer)Segurança da informação e risco cibernético
CHRO (chief human resources officer)Estratégia de pessoas, liderança e cultura
CMO (chief marketing officer)Marca e geração de demanda
CRO (chief revenue officer)Receita ponta a ponta
CPO (chief product officer)Estratégia de produto e entrega de valor ao cliente
CLO / general counsel (chief legal officer)Jurídico, governança e risco legal
CSO (chief strategy officer)Estratégia corporativa e crescimento
 

O que faz um CEO no dia a dia?

No dia a dia, o CEO divide sua atuação entre decisões estratégicas intransferíveis e rituais operacionais que garantem execução, alinhamento e desempenho sustentável. A seguir, estão as principais responsabilidades organizadas por escopo.

Escopo estratégico: decisões que só o CEO pode tomar

No escopo estratégico, o CEO atua em temas que não podem ser delegados sem perda de direção, coerência ou impacto no longo prazo. São decisões que afetam diretamente o rumo, a competitividade e a sustentabilidade da empresa.

  • Definir e sustentar poucas prioridades estratégicas, alinhando toda a organização, inclusive decisões de alocação de capital e portfólio (HBR).
  • Estabelecer a agenda anual de transformação, equilibrando crescimento, eficiência e tecnologia, além de revisar trade-offs críticos (McKinsey).
  • Atuar como elo entre Conselho e gestão executiva, garantindo direção estratégica e monitoramento efetivo da execução (G20/OECD, 2023).
  • Moldar a cultura e os valores organizacionais que sustentam a estratégia e orientam comportamentos e decisões.

Rotina operacional (rituais que sustentam a execução)

  • Desdobrar a estratégia em metas e KPIs, acompanhar resultados e ajustar a rota junto à liderança executiva (IBGC).
  • Aprovar projetos e investimentos relevantes, priorizando iniciativas alinhadas às prioridades estratégicas (Harvard Business Review).
  • Representar a empresa perante investidores, clientes, mídia e talentos, comunicando prioridades, avanços e resultados (G20/OECD).
  • Monitorar tendências de mercado e tecnologia, incluindo IA, e ajustar planos conforme o contexto (PwC Global CEO Survey, 2024).
 

Como funciona o contrato de trabalho de um CEO?

Em companhias limitadas ou startups, é comum que o CEO atue como sócio-administrador, com mandato societário registrado em ata. Já em empresas maiores ou de capital aberto, o CEO pode ser contratado como executivo via CLT ou em regime estatutário, com aprovação do conselho de administração.

Independentemente do modelo de contratação, o contrato do CEO costuma prever cláusulas específicas de confidencialidade, metas de desempenho, bônus, participação nos lucros (PLR) e até opções de ações (stock options), especialmente em startups e multinacionais.

O CEO precisa bater ponto?

Em geral, não. O CEO, por exercer cargo de alta gestão e confiança, costuma estar dispensado do controle de jornada tradicional, conforme o artigo 62 da Consolidação das Leis do Trabalho, desde que possua efetivos poderes de mando e gestão. Esse entendimento é recorrente na jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Ainda assim, em empresas com cultura mais horizontal ou com uso de tecnologias integradas de gestão de ponto, o CEO pode optar por registrar horários por alinhamento com a equipe, sem que isso configure obrigação legal.

 

Quanto ganha um CEO no Brasil?

Segundo levantamento da consultoria Page Executive, publicado em abril de 2024, a remuneração de CEOs em empresas com faturamento acima de R$ 1 bilhão começa em torno de R$ 80 mil por mês, podendo ultrapassar R$ 200 mil, dependendo do setor e da política de bônus e benefícios.

Além do salário fixo, a remuneração variável pode incluir participação nos lucros, metas de desempenho e remuneração baseada em ações, quando aplicável.

 

Formação, habilidades e competências de um CEO bem-sucedido

Mulher digitando em notebook com escritório ao fundo

A formação de um CEO geralmente começa por cursos em Administração, Economia, Direito ou áreas correlatas, embora não exista um caminho acadêmico único para chegar ao cargo..

De acordo com o estudo “The Mindsets and Practices of Excellent CEOs”, da McKinsey, os melhores CEOs convergem em práticas como priorizar poucos temas críticos, alocar capital de forma disciplinada, moldar cultura e engajar stakeholders com consistência, um conjunto de comportamentos que diferencia desempenho no cargo. 

A capacidade de tomar decisões sob pressão e manter o foco em resultados sustentáveis também são marcas importantes de um líder executivo.

Cursos e MBAs recomendados para futuros CEOs

No Brasil, diversas instituições oferecem programas voltados ao desenvolvimento de futuros CEOs

Esses programas combinam disciplinas de estratégia, finanças, marketing e liderança, além de networking com outros profissionais de alta gestão.

Livros e referências de liderança executiva

Alguns dos livros mais recomendados por CEOs bem-sucedidos são:

  • Business adventures”, John Brooks: de acordo com Bill Gates, fundador da Microsoft, é “meu livro de negócios favorito” (recomendação recebida de Warren Buffett);
  • The effective executive”, Peter Drucker: segundo Jeff Bezos, fundador e CEO da Amazon, foi um dos três livros que ele pediu para seus principais executivos lerem;
  • The outsiders”, William Thorndike: de acordo com Warren Buffett, diretor-executivo da Berkshire Hathaway, é “um livro excepcional sobre CEOs que se destacaram em alocação de capital”;
  • Shoe dog”, Phil Knight: conforme Tim Cook, CEO da Apple, “não é apenas um livro de negócios; é um livro sobre a vida”;
  • Trillion dollar coach”, Eric Schmidt, Jonathan Rosenberg, Alan Eagle: segundo a própria Google, integra a lista pública de recomendações de Sundar Pichai, CEO da empresa. 
 

Como o CEO influencia a cultura de produtividade da empresa?

O CEO é um dos principais agentes de influência na cultura de produtividade no trabalho, pois suas atitudes, decisões e prioridades moldam comportamentos em todos os níveis da organização.

A cultura de produtividade de uma empresa não é definida por discursos ou valores escritos, mas pelas decisões, comportamentos e prioridades que o CEO reforça diariamente. Nesse contexto, o que o CEO cobra, tolera ou ignora tende a se espalhar rapidamente por toda a organização.

Pesquisas da McKinsey indicam que até 45 % da variação no desempenho de uma empresa está ligada à eficácia do CEO, enquanto a Gallup mostra que líderes respondem por até 70 % da diferença no engajamento dos funcionários, um fator diretamente relacionado à produtividade organizacional.

Por outro lado, estilos de liderança centralizadores, inconsistentes ou ausentes costumam gerar baixa confiança, desalinhamento entre áreas e uma cultura de produtividade reativa, em que as equipes apenas respondem a urgências, em vez de executar a estratégia de forma sustentável.

Conclusão

O CEO é o responsável final por transformar estratégia em decisões de capital, desenho organizacional e critérios de execução, respondendo ao conselho e ao mercado enquanto define o padrão de cultura que sustenta produtividade. 

O cargo pode ser ocupado por fundador ou executivo contratado. Em estruturas maduras, a separação entre propriedade e gestão é intencional, e envolve rituais de acompanhamento de metas, revisão de resultados e comunicação clara com investidores, clientes e talentos. 

Na prática, o CEO coordena um time C-level especializado (finanças, operações, tecnologia, pessoas, produto, marketing, etc.) e garante alinhamento entre prioridades e entregas do dia a dia. 

O desempenho sustentado depende menos da “formação ideal” e mais de competências verificáveis, análise e priorização, tomada de decisão sob pressão, influência social, gestão de líderes e capacidade de ajustar a rota, apoiadas por aprendizado contínuo. 

Continue acompanhando o blog Pontotel para entender o poder de influência de cada liderança dentro da empresa!

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