O termo CEO (sigla de Chief Executive Officer) identifica o executivo que concentra a tomada de decisão mais crítica da organização: definir prioridades estratégicas, traduzi-las em metas e alocação de recursos, e responder por desempenho perante conselho, investidores e mercado.
Na prática, isso envolve escolhas concretas e recorrentes, por exemplo, onde investir e onde cortar, quais líderes manter ou trocar, como desenhar a estrutura de execução, quais riscos são inaceitáveis e que padrão de cultura será tolerado no dia a dia.
Neste artigo, você vai entender o papel real do CEO — desde as decisões estratégicas do dia a dia até as diferenças em relação a outros cargos C-Level, o modelo de contrato, a faixa de remuneração no Brasil e as competências que sustentam uma liderança de alto impacto.
Os tópicos a seguir contemplam o entendimento:
- O que é um CEO e qual o seu papel na empresa?
- Diferença entre CEO e cargos C-Level
- O que faz um CEO no dia a dia?
- Como funciona o contrato de trabalho de um CEO?
- Quanto ganha um CEO no Brasil?
- Formação, habilidades e competências de um CEO bem-sucedido
- Como o CEO influencia a cultura de produtividade da empresa?

Continue a leitura para desvendar o papel de liderança que transforma as organizações.
O que é um CEO e qual o seu papel na empresa?
CEO é o cargo de maior autoridade executiva em uma organização, responsável por liderar estratégias de negócio, tomada de decisões corporativas e representar a empresa perante o mercado e investidores.
O termo CEO surgiu nos Estados Unidos e foi adotado globalmente como sinônimo do principal responsável pela gestão empresarial. No Brasil, essa função costuma ser associada ao cargo de diretor-executivo, embora a estrutura e o nível de autonomia possam variar conforme o modelo de governança e o porte da organização.
Seu papel vai muito além da operação: ele atua como ponte entre o conselho administrativo e as lideranças internas. Cabe a esse profissional garantir o alinhamento estratégico e a execução, mantendo a competitividade empresarial e a sustentabilidade financeira.
Como liderança máxima, o CEO define o rumo estratégico da empresa e cria os mecanismos necessários para que todas as áreas estejam alinhadas, compartilhem a mesma visão e atuem em direção aos objetivos organizacionais, mesmo sem contato direto com cada colaborador.
“Na minha visão, ser líder no contexto atual envolve algo que se tornou a realidade de muitos líderes que é liderar pessoas que não estão com você todos os dias.””, comenta Daiane Jales – Coordenadora de Sucesso do Cliente da Pontotel, ao destacar os desafios da liderança em ambientes distribuídos.
Exemplos de CEOs bem-sucedidos
No Brasil, Luiza Helena Trajano é amplamente reconhecida como referência em liderança estratégica à frente da Magazine Luiza. Segundo informações da página “Quem Somos” da própria empresa, sob sua gestão, a Magazine Luiza iniciou um processo de digitalização e expansão agressiva, que culminou em mais de R$ 65 bilhões em vendas, presença em 917 cidades e um time com mais de 37 mil colaboradores.
Já Frederico Trajano, atual CEO da companhia, liderou a integração total entre e-commerce, lojas físicas e logística, fortalecendo o modelo omnichannel do Magalu e ampliando sua eficiência operacional, o que consolidou a empresa como referência em transformação digital no varejo nacional.
No cenário internacional, Satya Nadella assumiu a Microsoft em 2014 e impulsionou uma mudança estratégica voltada para serviços em nuvem, cultura colaborativa e foco em IA. Sob sua liderança, um investimento de US$ 10 mil na Microsoft teria se transformado em mais de US$ 114 mil até 2024, segundo a Nasdaq.
Quando o CEO não é o dono da empresa?
É comum o CEO não ser o dono nem o fundador, especialmente em companhias com conselho e estrutura formal de governança.
De acordo com o G20/OECD Principles of Corporate Governance (2023), cabe ao conselho selecionar o CEO, supervisionar e monitorar o desempenho dos principais executivos e, quando necessário, substituí-los, além de conduzir o planejamento de sucessão.
Essa separação também aparece como prática recomendada para reduzir a concentração de poder. Conforme o Código Brasileiro de Governança Corporativa (Companhias Abertas), “o diretor-presidente não deve acumular o cargo de presidente do conselho de administração”, justamente para não prejudicar o dever de monitoramento do conselho sobre a diretoria.
Diferença entre CEO e cargos C-Level

O grupo chamado de C-Level refere-se a cargos que começam com a letra “C”, de “Chief” (chefe), que são especialistas em suas áreas e respondem diretamente ao CEO.
Confira abaixo a relação de C-levels que podem existir em uma empresa:
| Cargo C-level | Missão central |
| CEO (chief executive officer) | Direção estratégica e performance geral da empresa |
| COO (chief operating officer) | Execução do plano e eficiência operacional |
| CFO (chief financial officer) | Saúde financeira, controle e gestão de riscos financeiros |
| CTO (chief technology officer) | Estratégia e entrega de tecnologia (produto e arquitetura) |
| CIO (chief information officer) | Tecnologia corporativa e sistemas internos |
| CISO (chief information security officer) | Segurança da informação e risco cibernético |
| CHRO (chief human resources officer) | Estratégia de pessoas, liderança e cultura |
| CMO (chief marketing officer) | Marca e geração de demanda |
| CRO (chief revenue officer) | Receita ponta a ponta |
| CPO (chief product officer) | Estratégia de produto e entrega de valor ao cliente |
| CLO / general counsel (chief legal officer) | Jurídico, governança e risco legal |
| CSO (chief strategy officer) | Estratégia corporativa e crescimento |
O que faz um CEO no dia a dia?
No dia a dia, o CEO divide sua atuação entre decisões estratégicas intransferíveis e rituais operacionais que garantem execução, alinhamento e desempenho sustentável. A seguir, estão as principais responsabilidades organizadas por escopo.
Escopo estratégico: decisões que só o CEO pode tomar
No escopo estratégico, o CEO atua em temas que não podem ser delegados sem perda de direção, coerência ou impacto no longo prazo. São decisões que afetam diretamente o rumo, a competitividade e a sustentabilidade da empresa.
- Definir e sustentar poucas prioridades estratégicas, alinhando toda a organização, inclusive decisões de alocação de capital e portfólio (HBR).
- Estabelecer a agenda anual de transformação, equilibrando crescimento, eficiência e tecnologia, além de revisar trade-offs críticos (McKinsey).
- Atuar como elo entre Conselho e gestão executiva, garantindo direção estratégica e monitoramento efetivo da execução (G20/OECD, 2023).
- Moldar a cultura e os valores organizacionais que sustentam a estratégia e orientam comportamentos e decisões.
Rotina operacional (rituais que sustentam a execução)
- Desdobrar a estratégia em metas e KPIs, acompanhar resultados e ajustar a rota junto à liderança executiva (IBGC).
- Aprovar projetos e investimentos relevantes, priorizando iniciativas alinhadas às prioridades estratégicas (Harvard Business Review).
- Representar a empresa perante investidores, clientes, mídia e talentos, comunicando prioridades, avanços e resultados (G20/OECD).
- Monitorar tendências de mercado e tecnologia, incluindo IA, e ajustar planos conforme o contexto (PwC Global CEO Survey, 2024).
Como funciona o contrato de trabalho de um CEO?
Em companhias limitadas ou startups, é comum que o CEO atue como sócio-administrador, com mandato societário registrado em ata. Já em empresas maiores ou de capital aberto, o CEO pode ser contratado como executivo via CLT ou em regime estatutário, com aprovação do conselho de administração.
Independentemente do modelo de contratação, o contrato do CEO costuma prever cláusulas específicas de confidencialidade, metas de desempenho, bônus, participação nos lucros (PLR) e até opções de ações (stock options), especialmente em startups e multinacionais.
O CEO precisa bater ponto?
Em geral, não. O CEO, por exercer cargo de alta gestão e confiança, costuma estar dispensado do controle de jornada tradicional, conforme o artigo 62 da Consolidação das Leis do Trabalho, desde que possua efetivos poderes de mando e gestão. Esse entendimento é recorrente na jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho (TST).
Ainda assim, em empresas com cultura mais horizontal ou com uso de tecnologias integradas de gestão de ponto, o CEO pode optar por registrar horários por alinhamento com a equipe, sem que isso configure obrigação legal.
Quanto ganha um CEO no Brasil?
Segundo levantamento da consultoria Page Executive, publicado em abril de 2024, a remuneração de CEOs em empresas com faturamento acima de R$ 1 bilhão começa em torno de R$ 80 mil por mês, podendo ultrapassar R$ 200 mil, dependendo do setor e da política de bônus e benefícios.
Além do salário fixo, a remuneração variável pode incluir participação nos lucros, metas de desempenho e remuneração baseada em ações, quando aplicável.
Formação, habilidades e competências de um CEO bem-sucedido

A formação de um CEO geralmente começa por cursos em Administração, Economia, Direito ou áreas correlatas, embora não exista um caminho acadêmico único para chegar ao cargo..
De acordo com o estudo “The Mindsets and Practices of Excellent CEOs”, da McKinsey, os melhores CEOs convergem em práticas como priorizar poucos temas críticos, alocar capital de forma disciplinada, moldar cultura e engajar stakeholders com consistência, um conjunto de comportamentos que diferencia desempenho no cargo.
A capacidade de tomar decisões sob pressão e manter o foco em resultados sustentáveis também são marcas importantes de um líder executivo.
Cursos e MBAs recomendados para futuros CEOs
No Brasil, diversas instituições oferecem programas voltados ao desenvolvimento de futuros CEOs:
- Programa CEO FGV Alta Gestão (Fundação Getulio Vargas);
- Executive MBA da Fundação Dom Cabral;
- MBA em Gestão de Negócios da USP/Esalq.
Esses programas combinam disciplinas de estratégia, finanças, marketing e liderança, além de networking com outros profissionais de alta gestão.
Livros e referências de liderança executiva
Alguns dos livros mais recomendados por CEOs bem-sucedidos são:
- “Business adventures”, John Brooks: de acordo com Bill Gates, fundador da Microsoft, é “meu livro de negócios favorito” (recomendação recebida de Warren Buffett);
- “The effective executive”, Peter Drucker: segundo Jeff Bezos, fundador e CEO da Amazon, foi um dos três livros que ele pediu para seus principais executivos lerem;
- “The outsiders”, William Thorndike: de acordo com Warren Buffett, diretor-executivo da Berkshire Hathaway, é “um livro excepcional sobre CEOs que se destacaram em alocação de capital”;
- “Shoe dog”, Phil Knight: conforme Tim Cook, CEO da Apple, “não é apenas um livro de negócios; é um livro sobre a vida”;
- “Trillion dollar coach”, Eric Schmidt, Jonathan Rosenberg, Alan Eagle: segundo a própria Google, integra a lista pública de recomendações de Sundar Pichai, CEO da empresa.
Como o CEO influencia a cultura de produtividade da empresa?
O CEO é um dos principais agentes de influência na cultura de produtividade no trabalho, pois suas atitudes, decisões e prioridades moldam comportamentos em todos os níveis da organização.
A cultura de produtividade de uma empresa não é definida por discursos ou valores escritos, mas pelas decisões, comportamentos e prioridades que o CEO reforça diariamente. Nesse contexto, o que o CEO cobra, tolera ou ignora tende a se espalhar rapidamente por toda a organização.
Pesquisas da McKinsey indicam que até 45 % da variação no desempenho de uma empresa está ligada à eficácia do CEO, enquanto a Gallup mostra que líderes respondem por até 70 % da diferença no engajamento dos funcionários, um fator diretamente relacionado à produtividade organizacional.
Por outro lado, estilos de liderança centralizadores, inconsistentes ou ausentes costumam gerar baixa confiança, desalinhamento entre áreas e uma cultura de produtividade reativa, em que as equipes apenas respondem a urgências, em vez de executar a estratégia de forma sustentável.
Conclusão
O CEO é o responsável final por transformar estratégia em decisões de capital, desenho organizacional e critérios de execução, respondendo ao conselho e ao mercado enquanto define o padrão de cultura que sustenta produtividade.
O cargo pode ser ocupado por fundador ou executivo contratado. Em estruturas maduras, a separação entre propriedade e gestão é intencional, e envolve rituais de acompanhamento de metas, revisão de resultados e comunicação clara com investidores, clientes e talentos.
Na prática, o CEO coordena um time C-level especializado (finanças, operações, tecnologia, pessoas, produto, marketing, etc.) e garante alinhamento entre prioridades e entregas do dia a dia.
O desempenho sustentado depende menos da “formação ideal” e mais de competências verificáveis, análise e priorização, tomada de decisão sob pressão, influência social, gestão de líderes e capacidade de ajustar a rota, apoiadas por aprendizado contínuo.
Continue acompanhando o blog Pontotel para entender o poder de influência de cada liderança dentro da empresa!

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