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PIS e Cofins: entenda o que são esses impostos e como calcular!

Entenda o que é PIS e Cofins, descubra se a sua empresa deve ou não recolher esses impostos, o que diz a lei e como calcular esses tributos.

Time Pontotel Time Pontotel
15 min de leitura

A carga tributária do Brasil é uma das maiores do mundo. Segundo o relatório Doing Business 2020, do Banco Mundial (dado de 2019; o levantamento foi descontinuado pelo Banco Mundial em 2021), 65,1% dos lucros das empresas no país eram destinados ao pagamento de tributos. Muitos deles, aliás, além de onerosos, são complexos e burocráticos, como o PIS e Cofins. 

As duas tributações, previstas na Constituição Federal, por serem obrigatórias, transferem uma grande responsabilidade para a gestão fiscal das empresas, exigindo muita atenção para o cumprimento das obrigações legais perante o fisco. 

O PIS e a Cofins mantêm dispositivos ligados à seguridade social e à integração social. A arrecadação desses tributos, no caso, permite manter os pagamentos de seguro desemprego, abono salarial e de gastos ligados à Previdência Social. 

Por serem tributações tão essenciais, existe uma certa complexidade no seu cálculo, havendo variações de modalidade e arrecadação para a empresa chegar ao valor final do tributo a ser pago. 

Ao longo deste artigo você poderá tirar todas as suas dúvidas sobre o PIS e Cofins o que é, e vai descobrir: 

Boa leitura!

O que são PIS e Cofins?

imagem de uma pessoa segurando uma calculadora e escrevendo em uma folha, representando o cálculo do PIS e Cofins

O PIS e Cofins são tributações previstas nos artigos 195 e 239 da Constituição Federal. PIS é a abreviação de Programa de Integração Social e COFINS significa Contribuição para Financiamento da Seguridade Social. 

Diz o artigo 195 sobre o PIS: 

A Cofins foi instituída pela Lei Complementar nº 70/1991, cujo artigo 1º diz o seguinte: 

PIS/PASEP

O que é arrecadado com o PIS é destinado às verbas que mantêm o seguro-desemprego, abono salarial dos trabalhadores e outros. O PASEP é o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público. 

Ambos têm a mesma função, sendo contribuições cujo objetivo é financiar a seguridade social dos trabalhadores. 

A principal diferença entre eles é que os depósitos de um são originários de empresas privadas – PIS – e o outro a contribuição parte de empresas públicas – PASEP. O PASEP, aliás, é administrado pelo Banco do Brasil.  

Apesar de terem sido criados em leis diferentes (as Leis Complementares nº 7 e nº 8, de 1970), houve uma unificação dos programas: desde 1976, os fundos do PIS e do Pasep formam o Fundo PIS-Pasep, conforme a Lei Complementar nº 26, de 11 de setembro de 1975. A Medida Provisória nº 946/2020 chegou a propor a extinção desse fundo e a transferência do patrimônio para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, mas perdeu a validade sem ser convertida em lei. 

Cofins

O programa Cofins destina seus valores para manter gastos com a seguridade social e a saúde pública do Brasil. As arrecadações da Cofins, inclusive, são responsáveis por manter a Previdência Social. 

Para que servem esses impostos?

Esses impostos têm como principal objetivo apoiar o custeio de gastos com os trabalhadores do país. O PIS financia o pagamento de seguro-desemprego e outros benefícios, enquanto a Cofins cobre os gastos da seguridade social.

Quando o PIS e Cofins devem ser recolhidos?

Sempre que uma empresa obtiver algum tipo de receita no mês, ela tem por obrigação legal recolher o PIS e Cofins. 

Três fatores são importantes nesse quesito para que a empresa compreenda a obrigatoriedade desse recolhimento: fato gerador, base de cálculo e contribuintes. 

O fato gerador está relacionado ao recolhimento de receitas, a base de cálculo ao faturamento bruto e os contribuintes é o que define se a empresa se enquadra ou não dentro das regras para o recolhimento desses tributos.  

A Instrução Normativa RFB nº 2.121/2022, em seu artigo 6º, descreve o fato gerador em dois pontos para o auferimento do PIS e COFINS. 

Prazo para recolhimento do PIS e Cofins

As empresas possuem um prazo específico para realizar o recolhimento do PIS e Cofins, instituído pela Lei nº 11.933/2009. A lei coloca os fatos geradores do mês como referência para a contagem dos dias. 

Empresas que não cumprem com o recolhimento no prazo determinado podem ter que arcar com o pagamento de multas ou até mesmo com sanções cíveis, administrativas e criminais. 

Ele é pago somente por pessoas jurídicas?

Sim! Empresas de grande porte precisam pagar o PIS e Cofins, enquanto empresas de pequeno porte e microempresas enquadradas no Simples Nacional ficam isentas dessa obrigatoriedade.

O artigo 7º da Instrução Normativa RFB nº 2.121/2022 diz o seguinte sobre quem deve realizar o recolhimento desses tributos:

Quais as porcentagens de contribuição do PIS e Cofins?

imagem do símbolo de porcentagem

Agora que você já sabe o que é PIS e Cofins e quando deve recolher esses tributos, é importante conhecer as porcentagens de contribuição e o valor do imposto PIS e Cofins para realizar os cálculos corretamente.

Porcentagens do PIS/PASEP

As porcentagens do PIS/PASEP levam em conta três modalidades que são a base para que se definam as porcentagens desse tributo. São elas: 

  • PIS/PASEP sobre a folha de pagamento: 1%
  • PIS/PASEP sobre o faturamento da companhia: 0,65% ou 1,65%
  • PIS/PASEP sobre a importação: 2,1% 

A modalidade sobre a folha de pagamento diz respeito a entidades que não possuem fins lucrativos, com empregados, e que assim se encaixam dentro de uma alíquota de 1%. 

Porcentagens da Cofins

Já a Cofins possui duas modalidades e consequentemente porcentagens diferentes entre elas: 

  • Cofins sobre a importação: 9,75% + 1% adicional
  • Cofins sobre o faturamento da organização: 9,75% + 1% adicional

Quais são as modalidades de contribuição do PIS e da Cofins?

O cálculo do PIS e Cofins também leva em conta a modalidade de contribuição. No caso, existem dois regimes que são a base para esse cálculo: regime cumulativo e regime não cumulativo. A seguir você vai entender melhor sobre eles: 

Regime cumulativo

O regime cumulativo do PIS e Cofins se baseia na receita bruta da pessoa jurídica, sem descontos de créditos. Empresas que possuem a apuração do seu imposto de renda baseado no Lucro Presumido é que, em regra, se encaixam no regime cumulativo (empresas no Lucro Real seguem o regime não cumulativo, visto no próximo tópico). 

A alíquota do PIS e da Cofins no regime cumulativo são as seguintes: 

  • COFINS: 3%
  • PIS:  0,65%

O regime cumulativo é regido pela Lei 9.718/1998.  

Regime não cumulativo

No caso do regime não cumulativo, a base do imposto de renda é o Lucro Real. 

Isso quer dizer que empresas que se encaixam nesse regime não só calculam o faturamento mensal para realizar o recolhimento do tributo, mas também o acumulado das compras do período em questão. 

No regime não cumulativo, a empresa deve utilizar as seguintes alíquotas:

  • Cofins: 7,6%.
  • PIS: 1,65%;

Esse tipo de regime está previsto na Lei de nº 10.637/2002. 

Como calcular PIS e Cofins?

imagem de uma pessoa segurando uma calculadora e uma caneta. Imagem representa cálculo do PIS e Cofins

Agora que você conhece as duas modalidades do PIS e Cofins, é importante entender como calcular esses tributos na prática, considerando a incidência cumulativa e a não cumulativa.

Cálculo: incidência cumulativa do PIS e Cofins

É importante recordar que a incidência cumulativa leva em conta a receita bruta da empresa. Sendo assim, se considera as alíquotas: Cofins: 3% e PIS:  0,65%. O cálculo nesse caso seria o seguinte. 

  • PIS = receita bruta da empresa x alíquota (0,65%).
  • Cofins = receita bruta da empresa x alíquota (3%).

Exemplo: 

  • Receita bruta: R$ 50.000
  • PIS: R$ 50.000 x 0,65% = R$ 325,00
  • COFINS: R$ 50.000 x 3% = R$ 1500,00

Cálculo: incidência não cumulativa do PIS e Cofins

No caso da incidência não cumulativa o cálculo é um pouco mais complexo já que é necessário incluir as despesas tributárias (custos e encargos). É possível conferir os detalhes de incidência na Lei Nº 10.865. 

Nesse cálculo a empresa deve seguir os passos abaixo. 

  • Venda de produtos tributados: R$ 20.000
  • Direito a crédito (produtos que sofreram tributos, aluguel e outros): R$ 5.000

Logo teremos: 

Exemplo do PIS

  • PIS – valor de venda:  R$ 20.000 x 1,65% = R$ 330,00
  • PIS – crédito sobre compra:R$ 5.000 x 1,65% = R$ 82,50
  • PIS = R$ 330 – R$ 82,50 = R$ 247,50

Exemplo da Cofins 

  • Cofins – valor de venda: R$ 20.000 x 7,6% = R$ 1.520,00
  • Cofins – crédito sobre compra: R$ 5,000 x 7,6% = R$ 380,00
  • Cofins = R$ 1.520 – R$ 380 = R$ 1.140,00

PIS e Cofins vão acabar? Entenda a transição para a CBS

Sim, mas não de uma vez. A Reforma Tributária (Emenda Constitucional nº 132/2023, regulamentada pela Lei Complementar nº 214/2025) cria a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), tributo federal que vai substituir o PIS e a Cofins.

2026 é o “ano de testes” da reforma. A CBS já é cobrada, mas em alíquota simbólica de 0,9% (somada a 0,1% de IBS), e esse valor é integralmente compensado no que a empresa já paga de PIS e Cofins. Ou seja, o desembolso total da empresa não aumenta, e o PIS e a Cofins continuam valendo normalmente, com as mesmas alíquotas e regras vistas neste artigo.

A partir de 2027, o PIS e a Cofins serão extintos de fato, e a CBS passa a valer com sua alíquota plena, ainda sujeita a ajuste por lei complementar. O IBS, que vai substituir o ICMS e o ISS, tem uma transição mais longa, entre 2029 e 2033.

Na prática, para o fechamento fiscal de 2026, as empresas continuam recolhendo PIS e Cofins normalmente, com as alíquotas e os prazos apresentados neste artigo.

Perguntas frequentes sobre PIS e Cofins

O PIS e a Cofins vão acabar?

Sim, mas só a partir de 2027, quando forem substituídos pela CBS. Em 2026, ano de testes da Reforma Tributária, o PIS e a Cofins continuam em vigor normalmente.

O que muda no pagamento de PIS e Cofins em 2026?

Na prática, nada. A CBS e o IBS já são cobrados a título de teste (0,9% + 0,1%), mas esse valor é compensado no que a empresa já paga de PIS e Cofins, sem aumento do desembolso total.

Qual a alíquota do PIS e Cofins no Lucro Real e no Lucro Presumido?

No Lucro Presumido (regime cumulativo): 0,65% de PIS e 3% de Cofins, sem direito a créditos. No Lucro Real (regime não cumulativo): 1,65% de PIS e 7,6% de Cofins, com direito a créditos sobre custos e despesas.

Quando vence o pagamento do PIS e Cofins?

Até o 20º dia do mês subsequente para as pessoas jurídicas referidas no §1º do art. 22 da Lei nº 8.212/1991, e até o 25º dia do mês subsequente para as demais, conforme a Lei nº 11.933/2009. Se o vencimento não cair em dia útil, o prazo é antecipado para o dia útil anterior.

Conclusão

Neste conteúdo, você pôde entender a importância dos tributos no país, principalmente de dois impostos em especial: PIS e COFINS. 

Devido a sua importância em ser mantenedor de vários programas sociais no país, esses tributos são extremamente relevantes na rotina das empresas. 

Principalmente porque são obrigatórios e são parte importante das obrigações tributárias legais dentro das organizações. Apesar da complexidade do PIS e Cofins, este artigo tentou explicar de forma clara e objetiva o funcionamento deles. 

Detalhando não só as modalidades que obrigam a empresa a realizar o pagamento destes tributos, mas também apresentando um exemplo de cálculo para que sua empresa não erre no pagamento do PIS e Cofins. 

Afinal, qualquer erro neste sentido, perante a Receita Federal, pode ocasionar no desenquadramento do regime tributário da empresa no ano seguinte, sem contar que a empresa pode ter de pagar multas e terá dificuldade em linhas de crédito. 

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Escrito por

Time Pontotel

O Time Pontotel é composto por especialistas em administração, recursos humanos, direito e tecnologia, com experiência em controle de ponto digital e legislação trabalhista. Nossos recursos vêm de fontes oficiais, como o site do Governo Federal e a CLT. Além disso, passam por uma revisão conjunta do departamento jurídico e de Recursos Humanos. Esse processo assegura dados precisos e atualizados, convertendo alterações legislativas em diretrizes claras para empresas que desejam eficiência e conformidade.

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