Entenda como a desvalorização profissional afeta negativamente a empresa e veja como evitar e a importância!

imagem de um homem preocupado com as mãos na cabeça sentado em uma mesa

A desvalorização profissional é um fenômeno de muitas faces onde o profissional se vê em uma situação na qual não recebe o devido reconhecimento por suas habilidades, competências ou serviço. 

O mercado é conhecido por sua competitividade; muitas vagas são disponibilizadas todo ano, porém, há sempre uma quantidade de ingressantes tão numerosa quanto, parecendo, por essa razão, que não há vagas para todos. 

Quando isso acontece, o profissional pode se ver sem saída e, muitas vezes, sente-se obrigado a manter seu emprego, custe o que custar, pois a dificuldade de encontrar outro é sempre crescente. Essa crise de insatisfação do trabalho é, muitas vezes, acentuada pela desvalorização profissional. 

Um profissional desvalorizado é um profissional infeliz. O trabalho ocupa boa parte do nosso tempo. As jornadas no país, embora previstas por lei que durem oito horas, facilmente ultrapassam esse limite. O contato com colegas de escritório, por exemplo, acaba sendo muitas vezes maior do que o contato com a própria família ou amigos, e isso cobra seu preço. 

E que preço é esse? O que acontece com um profissional que se sente desvalorizado? Continue lendo para entender mais sobre o assunto.

Boa leitura! 

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O que é a desvalorização profissional?

A desvalorização profissional é um sentimento de angústia generalizado que se instala no trabalhador, impedindo que ele execute suas tarefas de maneira apropriada. O trabalhador passa a não enxergar sua importância dentro da empresa, sensação que é acompanhada por queda de desempenho e eficácia no cumprimento de suas funções. 

Um funcionário que se sinta desvalorizado removerá seu trabalho de sua lista de prioridades, o que aumentará consideravelmente a chance de absenteísmo e turnover. Falaremos destes termos mais adiante. 

Como pode ocorrer a desvalorização no trabalho? 

A desvalorização no trabalho pode ocorrer de muitas maneiras. Alguns exemplos são: 

  • Salários baixos;
  • Comparação com outros profissionais da mesma área;
  • Falta de reconhecimento ou feedback;
  • Desalinhamento entre a visão do profissional e da empresa;
  • Sensação de que não se está progredindo. 

É importante observar que boa parte dos itens acima diz respeito ao aspecto emocional do funcionário, à maneira como ele se vê e vê a empresa. Isso significa que a desvalorização profissional ocorre, na maior parte das vezes, por uma quebra de expectativas que foram geradas pelo trabalhador ou prometidas pelo empregador. 


Vamos citar como exemplo o feedback, palavra em inglês incorporada na língua portuguesa que diz respeito ao retorno ou devolutiva que o empregador dá ao funcionário sobre seu trabalho. Faz parte da cultura do trabalho indicar os erros e acertos do empregado, mas, em termos gerais, isso não é feito de maneira apropriada. 

A maior causa disso é o pensamento que circula nas empresas de que o funcionário que executa suas funções de maneira ilustre não faz mais que sua obrigação. Por essa razão, seus efeitos e conquistas acabam por ser mérito do setor, e não do indivíduo, o que desestimula o funcionário a voltar a se destacar futuramente. 

Quais as principais causas da desvalorização profissional?

imagem de um homem entediado sentado na frente de um computador

As principais causas da desvalorização profissional são o pensamento corporativo e a substituição do líder pelo chefe. 

O pensamento corporativo não enxerga os funcionários como indivíduos com anseios, sonhos e qualidades. As pessoas são números, são engrenagens em uma grande máquina que executa funções. Não se vê um mecânico elogiando uma chave de fenda. Na empresa, ocorre uma situação similar. 

Outro aspecto do pensamento corporativo é a equação oferta/demanda. Quanto mais funcionários desmotivados na empresa, mais funcionários desempregados na fila. O mercado é auto-sustentável, as necessidades são muitas e as crises econômicas fazem com que uma vaga em aberto seja preenchida rapidamente. 

Quanto ao segundo item, é preciso entender a diferença entre um líder e um chefe. Em resumo, um chefe comanda, um líder conduz. Isso significa que um chefe vai cobrar um desempenho quase matemático de seus subordinados, sem espaço para erros ou questionamentos, enquanto um líder procurará compreender cada pessoa sob sua tutela como um ser de acertos e falhas, potencialidades e limites. 

Quando uma empresa trata seus funcionários de maneira humana e o superior é um líder verdadeiramente falando, a chance de a desvalorização profissional ocorrer acaba caindo drasticamente. 

O que pode acontecer com um profissional que se sente desvalorizado? 

Um profissional desvalorizado eventualmente vai deixar a empresa. Este processo começa de forma sutil, com queda de produtividade, muitas faltas e atestados médicos, saídas para o café ou almoço muito longas. Com o passar do tempo, torna-se insubordinação ou mal-estar. O fim do processo é o desligamento. 

Outra situação muito comum é a procura por novas ofertas de emprego. Via de regra, o profissional quer ser reconhecido. Ele não pensará duas vezes se a concorrência lhe oferecer uma posição sob a promessa da valorização que ele não tinha antes. 

Existem casos mais extremos que acabam atingindo diretamente a saúde do empregado. A exaustão, sentimento de ineficácia profissional, autoestima baixa e estresse são sintomas de uma síndrome maior, conhecida pelos médicos como burnout

O termo em inglês deriva de burn (queima) e out (esgotamento). Em uma tradução livre, burnout significa o fim do combustível, o que para seres humanos tem a ver com motivação e energia. Um funcionário em estado de burnout vai ser acometido por uma sensação de impotência e ceticismo quanto ao cumprimento de suas funções que o deixará paralizado. 

A Síndrome de Burnout é um produto da desvalorização profissional. Ele pode ser ser agravado por situações mais sérias, dentre elas: 

  • Práticas inadequadas ou ilegais dentro da empresa;
  • Abuso de poder ou autoridade por parte dos gestores;
  • Assédio moral ou sexual;
  • Má relação interpessoal com os pares dentro do local de trabalho;
  • Dificuldade de resolução de conflitos/problemas. 

Uma pessoa apresentando sintomas de burnout precisará de ajuda e acompanhamento médico, portanto o RH deve estar sempre atento para encaminhar o funcionário à medicina do trabalho para uma consulta. 

Como a desvalorização profissional afeta negativamente a empresa?

A desvalorização profissional afeta negativamente a empresa no que diz respeito à sua imagem e ao seu lucro. 

A imagem de uma empresa fica manchada quando nenhum empregado dura muito tempo lá dentro. As pessoas têm a tendência a falar de suas frustrações para outras, o que significa que o sentimento de desvalorização profissional será compartilhado com amigos, parentes e outros candidatos. Isso dificulta o preenchimento de vagas futuras ou encontrar novos talentos para a empresa. 

No tocante ao lucro, cabe lembrar os custos que uma empresa tem ao demitir um funcionário. Rescisão, multa contratual, férias, décimo terceiro, enfim, são muitos itens a serem observados e que podem causar um déficit para a empresa no momento da demissão. 

Além da imagem e do lucro, existem outros aspectos prejudicados com a desvalorização profissional, como a queda na produtividade, na motivação e no engajamento do funcionário e um maior índice de absenteísmo e turnover. 

  1. Queda na produtividade

A produtividade está diretamente ligada ao contentamento do profissional. Um trabalhador em sintonia com seu ambiente de trabalho produz melhor, gera resultados e progride junto com a empresa. 

A primeira vítima da desvalorização profissional é a produtividade porque ela está ligada diretamente com a capacidade do trabalhador de enxergar propósito no que ele está fazendo. Esse propósito vem em muitas formas: remuneração, aprendizado, reconhecimento. 

Se o funcionário trabalha pelo simples ato de trabalhar, ele não atenderá as expectativas e as demandas que seu cargo pede. 

2. Queda na motivação e engajamento 

Essa quebra com as expectativas e as demandas ocorre justamente porque não há motivação e engajamento com o cumprimento das funções. O ser humano é motivado pelo prazer; é desse lugar que o engajamento ocorre. Se a função deixa de ser prazerosa, passa a se tornar um peso. 

Uma empresa com funcionários que trabalham sem motivação e engajamento e que não geram produtividade eventualmente terá resultados negativos em sua produção anual. Não é preciso que se faça um estudo científico para atestar essa métrica. Basta entrar em uma empresa nessas condições e sentir o ambiente. 

Pergunte a um funcionário qualquer: onde você se vê daqui a alguns anos? A resposta será o mais evasiva possível. 

3. Imagem negativa da empresa no mercado 

Com a queda da produção vem também as reclamações dos clientes. Uma empresa é formada de pessoas, e as pessoas criam relações únicas. Um cliente pode decidir abandonar um prestador de serviços somente porque seu atendente favorito não está mais disponível. 

Essas relações, aliadas à qualidade dos produtos e serviços prestados, são o que promovem a confiança e a prova social de que uma empresa necessita para construir renome no mercado. Se elas são abaladas, a imagem da empresa sofre as consequências. 

4. Maior índice de absenteísmo e turnover

Outro ponto recorrente com funcionários desmotivados é o absenteísmo e o turnover. Absenteísmo é a ausência de um funcionário na empresa (também se aplica aos atrasos), e o turnover deriva de uma palavra em inglês que significa rotatividade, que exprime as entradas e saídas de pessoas no quadro de funcionários. 

Esses dois índices sofrem grandes oscilações quando ocorre a desvalorização profissional. Um funcionário desmotivado passa a carecer de planejamento. Sua rotina sofre um colapso no que diz respeito a antecipar os horários e as necessidades da empresa. Por essa razão, ele chega constantemente atrasado. 

A empresa também enfrentará altos índices de turnover pois seus funcionários não se sentirão inclinados a nutrir lealdade e comprometimento com seus empregadores. As consequências variam desde aceitar uma proposta melhor até o abandono total da área de atuação. 

O que a empresa deve fazer para evitar?

imagem de uma mulher falando para um grupo de pessoas

Para evitar a desvalorização profissional, a empresa deve primeiramente treinar seus gestores e transformá-los em líderes. Simon Sinek, autor inglês especialista em liderança, nos dá um bom caminho para chegar a esse fim: “as pessoas não compram o que você faz, elas compram o porquê você faz”

Um bom líder deve estar capacitado para entender os porquês do setor no qual está inserido e motivar seus liderados a caminharem lado a lado. Um bom líder será capaz de valorizar seu profissional e fazê-lo sentir importante para o grupo. 

Ou seja, para evitar a desvalorização profissional, além de treinar seus líderes, a empresa deve estar aberta e disposta a ouvir. Os talentos são pessoas que têm algo a dizer. Eles podem contribuir com o objetivo final de toda corporação: reconhecimento e lucro. 

Como o setor de RH pode auxiliar? 

E quem está melhor capacitado para ouvir os funcionários que o RH? 

O setor de Recursos Humanos é a peça chave para auxiliar no processo de valorização profissional. Seus integrantes são as pontes entre a empresa e o trabalhador. O RH humaniza a empresa, dá a ela uma face com a qual se pode interagir. Ali, as pessoas têm nomes, funções, personalidades e juízos de valor. 

Investir em treinamento e capacitação para o RH é o primeiro grande passo para evitar a desmotivação dos funcionários, prevenir absenteísmo e turnover e manter talentos na empresa. 

Qual a importância da valorização profissional?

Para explicar a importância da valorização profissional, vamos utilizar como exemplo a ciência e a educação, dois setores essenciais em qualquer país. 

A ciência é a métrica do desenvolvimento de um país. Quando ocorre a desvalorização profissional neste meio, descobertas como a vacina do coronavírus, para citar um exemplo, são adiadas. Novos tratamentos, curas de doenças antes incuráveis e o progresso como um todo no país são retardados. 

Na educação, estudos apontam que o cargo de professor está ameaçado. Longas jornadas, acúmulo de funções, excesso de trabalho (dentro e fora da escola), estresse relacionado ao contato interpessoal com os alunos e com a gestão, esses são apenas alguns dos motivos que levam a profissão docente a ser desvalorizada no país como um todo. 

Agora, imagine as possibilidades que a valorização destes profissionais geraria para o país. Se cada cientista e cada professor se sentisse motivado a cumprir sua função, com remuneração e reconhecimento apropriados, toda a base estrutural estaria montada para que o país pudesse se desenvolver em seu pleno potencial. 

Conclusão

imagem de um grupo de pessoas sentado em uma mesa com um homem em pé na frente

Após toda essa análise, é possível traçar um paralelo entre a desvalorização profissional e o desenvolvimento de uma nação inteira. Quanto mais valorizado um trabalhador se sente, maior é a qualidade do seu trabalho. Em suma, com o desenvolvimento pessoal e individualizado, ocorre o desenvolvimento macro da empresa e, por conseguinte, do país de modo geral. 

Para isso, vimos que o investimento em treinamento de líderes, o enfoque na humanidade e na capacidade de ouvir e a visão do funcionário como um ser de potencialidades e desejos são itens-chave para que se possa prevenir a perda de talentos e manter relacionamentos interpessoais de qualidade com clientes e parceiros. 

A desvalorização profissional é produto de um mercado antiquado, em defasagem, que coloca o lucro acima de tudo e esquece que existem muitas outras variáveis nessa equação. Portanto, ao empregador, valorize seu profissional. Ao empregado, busque aprimorar-se e construir sua própria voz para ser também valorizado. 

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