Etarismo no trabalho: quais as desvantagens e como evitar na sua empresa

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O envelhecimento da população é um processo natural e, cada vez mais, as pessoas permanecem por mais tempo no mercado de trabalho, seja por necessidade ou por escolha. 

Entretanto, nem todas as empresas estão preparadas para esse novo momento e, muitas vezes, o etarismo no trabalho ocorre, causando desconforto para os colaboradores e problemas para o negócio. 

O etarismo é a discriminação de pessoas com mais idade pelo julgamento errôneo de que esse público é incapaz de exercer algumas funções. Esse preconceito não acontece só no ambiente de trabalho, mas é bastante comum nas organizações.

Neste artigo, vamos abordar o que etarismo significa e como o conceito pode prejudicar uma empresa e seus colaboradores. Você vai ler sobre:

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O que é etarismo?

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Etarismo é um termo que se refere ao preconceito, discriminação ou esteriótipos relacionados à idade do cidadão. Essa atitude também pode ser chamada de ageismo, da tradução do inglês, ageism, que significa preconceito por idade. 

De maneira geral, ele é mais comum com as pessoas mais velhas, que são consideradas, conforme envelhecem, menos capazes de exercer determinadas atividades. O comportamento é inaceitável em todas as circunstâncias, especialmente, porque o envelhecimento faz parte da natureza humana. 

Apesar de ocorrer em maior frequência com os mais velhos, o etarismo também pode ocorrer com os mais jovens, que podem ser considerados inexperientes demais. 

Na sociedade, esse tipo de intolerância pode acontecer em qualquer ambiente, mas ele é bastante comum no ambiente de trabalho, como veremos no item a seguir.

O que é etarismo no mercado de trabalho?

O etarismo no trabalho carrega o estereótipo de que profissionais mais velhos são incapazes de exercer suas funções.

Isso ocorre porque as pessoas que estão no comando da empresa ou até colegas de trabalho consideram que eles estão desatualizados, não estão habituados com a tecnologia e não possuem as habilidades necessárias para acompanhar as mudanças.

É importante destacar que a expectativa de vida do brasileiro está aumentando e será cada vez mais comum ver a população acima dos 50 anos ainda exercendo a profissão. Mesmo que seja pouco discutido, o etarismo é considerado por especialistas como um tema que precisa ser discutido pelos líderes e equipe de recursos humanos das organizações. 

Outro ponto a ser discutido é o etarismo feminino, pois algumas pesquisas mostram que são as mulheres quem mais sofrem preconceito por conta da idade. A pesquisa Global Learner Survey indicou que 74% das entrevistadas já passaram por ocasiões de preconceito no momento de recrutamento e seleção para novas oportunidades de trabalho.

Os efeitos negativos do etarismo do trabalho são muitos, pois, além de dificuldades para serem contratados e manterem a situação financeira em dia, ainda há o impacto na saúde mental destes trabalhadores. 

Vantagens da diversidade de gerações no trabalho

Além de a discriminação não ser benéfica para a imagem corporativa da empresa e para o clima organizacional, a diversidade de gerações no ambiente de trabalho pode trazer vantagens para o negócio. As principais delas são:

Troca de experiência entre gerações

Entre os benefícios, é possível apontar, por exemplo, a integração entre as gerações. Os profissionais com mais experiência no mercado de trabalho podem compartilhar com os mais jovens os seus aprendizados durante a carreira, enquanto esses trazem as novidades da atualidade, como as novas tecnologias. 

Queda na taxa de turnover

Outro ponto positivo é a diminuição da rotatividade de colaboradores, pois os profissionais mais velhos costumam ficar mais tempo em uma mesma empresa, ao contrário da geração mais jovem. Além disso, quando a empresa é mais humanizada, os profissionais se sentem mais valorizados, aumentando a sensação de pertencimento e a satisfação com a marca empregadora.

Incentivo à inovação

Quando há a junção de um grupo diverso, a criatividade e a inovação são incentivadas, pois há uma troca de habilidades, experiências e de opiniões. Esse convívio entre colaboradores de diferentes idades proporciona um ambiente mais aberto a novas descobertas e projetos mais ousados.

Melhora da reputação da empresa

Cada vez mais as pessoas julgam uma marca pelas atitudes que elas têm em relação à sociedade e ao meio ambiente. Os clientes não escolhem contratar um serviço ou comprar um produto apenas pela qualidade oferecida. Eles também olham o propósito e as práticas do negócio. 

Sendo assim, ter uma imagem corporativa forte de inclusão e diversidade no trabalho é importante para a atração e fidelização de clientes. Além disso, existe uma competitividade no mercado de trabalho pela atração dos melhores talentos e ter um employer branding positivo é importante para contratar bons colaboradores. 

Sinais para identificar o etarismo no trabalho

Talvez você esteja se perguntando como saber se existe a prática de etarismo em sua empresa. Certamente, se o problema existe, é possível que ele não seja discutido abertamente entre a liderança e os colaboradores, mas alguns sinais podem acender o alerta sobre a discriminação de profissionais por conta da idade. Abaixo elencamos algumas atitudes para você observar:

Comentários relacionados à idade

Um dos pontos para perceber se existe etarismo na sua empresa é observar o comportamento de todos os colaboradores. Nem sempre o preconceito vem das pessoas que ocupam os cargos de liderança, é possível que a discriminação ocorra em todos os níveis. 

Por isso, observe os comentários feitos pelos profissionais e fique atento para frases como: “Essa pessoa já devia estar aposentada”, “Não adianta ensinar. Nessa idade eles não aprendem mais”, “Precisamos de sangue novo na empresa”, entre outras.

Contratação de colaboradores jovens

Outro sinal de etarismo no trabalho e que acontece com bastante frequência é a contratação em excesso de colaboradores jovens. Normalmente, a faixa etária esperada para preencher uma vaga não é anunciada com a descrição do cargo, entretanto, no processo seletivo, esse filtro é feito automaticamente pelos profissionais de RH. 

Quando isso acontece, o resultado é o preenchimento da vaga por profissionais mais jovens, deixando de lado os mais experientes acima de 40 ou 50 anos. Uma justificativa das empresas é que colaboradores mais velhos são mais caros e não há orçamento para pagar o salário que eles merecem. 

Porém, muitas vezes, esses trabalhadores não são chamados nem para passar pela fase de entrevistas e apresentar quais são suas expectativas com o novo trabalho. 

Promoção apenas para pessoas com menos de 40 anos

O etarismo no trabalho também está presente em empresas que não oferecem promoção para profissionais com mais de 40 anos. Normalmente, isso acontece porque os gestores entendem que as pessoas nesta faixa etária não têm mais disposição, flexibilidade e habilidades para encarar novos desafios. 

Com frequência, com o intuito de melhorar a reputação da empresa no mercado de trabalho, profissionais mais velhos são contratados apenas para demonstrar que a companhia aposta na diversidade e é inclusiva. Porém, não há um plano de carreira para esses colaboradores, que integram o quadro de funcionários, mas não são prioridade para o negócio.

Demissão de pessoas acima de 40 anos

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Esse talvez seja o ponto mais claro de etarismo no trabalho. A demissão de profissionais acima dos 40 anos é mais comum do que se imagina. Além da desculpa dos altos salários e necessidade de cortes de custos, há um errôneo entendimento de que há queda de produtividade destes colaboradores. 

A renovação do time é outra justificativa utilizada para a dispensa desses funcionários, pois os mais jovens trazem novas perspectivas. Entretanto, a empresa abre mão da experiência adquirida por esses profissionais ao longo da carreira.

Vale lembrar que a idade também é um dos fatores que pode configurar em dispensa discriminatória, ou seja, quando a demissão do colaborador não está relacionada ao seu desempenho e apenas a uma característica específica inerente ao ser humano. 

Consequências do etarismo no trabalho

O principal impacto negativo do etarismo no trabalho é, sem dúvidas, para os profissionais que sofrem com o problema e não conseguem se recolocar no mercado de trabalho ou são discriminados na empresa onde atuam. 

Se possui um trabalho, o colaborador mais velho pode ser alvo de comentários dos colegas, impactando diretamente sua autoestima, capacidade de concentração e, consequentemente, sua saúde mental e bem-estar. 

Já aqueles que buscam uma nova oportunidade de emprego, além da saúde mental por conta do preconceito e isolamento, também passam por instabilidade financeira e redução da qualidade de vida.

Para as empresas, as consequências negativas são muitas. Para os colaboradores mais velhos que atuam na companhia, a discriminação pode resultar em uma carga emocional muito forte, ocasionando queda na produtividade, por exemplo. Adicionalmente, é possível que haja problemas na integração das equipes, quando os mais jovens têm preconceito com esse grupo. 

A reputação da marca também sofre com o etarismo no trabalho. Hoje em dia, as pessoas têm acesso a todo tipo de informação pela internet e, além de prejudicar o employer branding atrapalhando a atração de talentos, ainda é provável que esse tipo de discriminação impactem na opinião dos clientes sobre a empresa. 

Como o RH pode combater o etarismo no trabalho?

Se o etarismo no trabalho é um problema na sua empresa, existem algumas estratégias de recursos humanos para resolver a situação e tornar a companhia mais inclusiva. Elencamos abaixo como o RH pode ajudar a combater o etarismo no trabalho:

Faça recrutamento às cegas

Uma forma de diminuir é fazer o recrutamento às cegas e não verificar as características como idade e sexo dos candidatos. Desta maneira, evita-se que ocorra o preconceito por idade, gênero ou outro, mesmo que não seja intencional. Aqui, a ideia é avaliar as habilidades e competências, sem haver qualquer tipo de discriminação. 

Outro ponto importante no recrutamento é evitar a descrição de vagas que, imediatamente, excluem os profissionais mais maduros, por exemplo, exigindo conhecimento em novas tecnologias ou formação recente. 

Ao invés disso, dissemine o discurso de que a empresa aposta na diversidade, equidade e inclusão para estimular que todos os tipos de profissionais se candidatem às oportunidades de vagas.

Crie um ambiente de trabalho saudável

Um ambiente de trabalho saudável só irá acontecer se houver respeito entre os colaboradores. Por isso, a empresa não pode tolerar qualquer tipo de discriminação com os profissionais. 

Tenha políticas claras que promovam a integração de equipes e ressaltem a importância do respeito desde o momento da contratação, nas palestras de onboarding, por exemplo.

Promova a inclusão no ambiente de trabalho

imagem de quatro mulheres

A inclusão no ambiente de trabalho depende também da colaboração de todos os funcionários. Não adianta a empresa oferecer oportunidades para os mais velhos e promover a diversidade, se a receptividade de todos os colaboradores não for positiva. 

Sendo assim, crie programas de conscientização sobre a importância da inclusão e diversidade, faça palestras periódicas sobre etarismo no trabalho e outros assuntos relacionados, entre outras atividades. 

Recentemente, as empresas começaram a desenvolver grupos de afinidades, nos quais os colaboradores que se identificarem com uma causa podem fazer encontros e trocas de experiência. Esses grupos também podem ser uma apoio ao RH na sugestão de temas a serem discutidos com o restante da companhia.

Foque na saúde e bem-estar dos colaboradores

É essencial que todos os profissionais tenham um ambiente de trabalho saudável, por isso, invista em programas de benefícios voltados à qualidade de vida, como plano de saúde, parceria com instituições para práticas de exercício físico, entre outros.

Também certifique-se de que os colaboradores possuem toda a estrutura que precisam para exercer suas funções, sem prejudicar a saúde física e mental. Inclusive, não se esqueça de disponibilizar ambientes acessíveis. 

Conclusão

O etarismo no trabalho é, então, a disciminação de trabalhadores por conta da idade. Ocorre com mais frequência com os profissionais mais maduros que, além de sofrerem preconceito nas empresas onde trabalham, também encontram dificuldades de se recolocar no mercado. 

Para combater o etarismo, as empresas precisam promover a inclusão e diversidade, como ponto forte de integração e inovação, e apostar nas habilidades e na experiência que os profissionais adquiriram ao longo da carreira. 

Quer saber mais sobre temas como esse? Acompanhe o blog da PontoTel e fique por dentro das novidades.

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