Empregador: entenda qual é o seu papel e quais os principais desafios enfrentados!

imagem de um homem e uma mulher se cumprimentando

O empregador é uma figura que é, ao mesmo tempo, tradicional e ameaçadora no imaginário do mercado. Não é possível pensar em uma empresa sem um chefe e, normalmente, essa pessoa é vista como alguém severo e rígido. Mas essa descrição é coisa do passado. 

Com o tempo, o papel do empregador mudou. Para fins de comparação, imagine um professor. Nos tempos antigos, ele era o detentor de todo o conhecimento e a autoridade máxima na escola. Hoje, é um mediador de conhecimentos e tem por foco o aluno. 

Nesse caso, o aluno é o empregado. Por consequência, ele se torna o foco central da empresa. Essa tendência employee-centric tem sido cada vez mais adotada pelos modelos de gestão ao redor do mundo. 

Assim, o empregador se torna líder, e não chefe. Por mais que ele enfrente desafios, construir uma boa relação empregador e empregado lhe fornecerá a rede de apoio necessária para superá-los. 

Mas como se constrói essa relação de forma saudável? Continue lendo e compreenda, através de passos simples, como alcançar essa harmonia na sua empresa. 

Boa leitura!

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O que é ser um empregador?

imagem de duas pessoas se cumprimentando

Ser empregador é proporcionar emprego e desenvolver relações de trabalho com outras pessoas. No entanto, essa é uma definição superficial se comparada a tudo o que representa ser um empregador na prática.  

Para esclarecer melhor, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) , em seu Artigo 2º, diz que:

“Considera-se empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço”.

Ou seja, observe que ser empregador não é apenas dar emprego. Também tem a ver com assalariar e dirigir a prestação de serviço, o que dá ao empregador deveres e direitos. Assim, existe um teor de responsabilidade entre o empregador e cada pessoa na empresa. 

Continuando no Artigo 2º, a CLT completa: 

“Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, ou ainda quando, mesmo guardando cada uma sua autonomia, integrem grupo econômico, serão responsáveis solidariamente pelas obrigações decorrentes da relação de emprego”.

Logo, pode-se compreender também que empresas podem ser empregadoras. Isso amplia o conceito, passando do individual para o coletivo, do físico ao jurídico. 

Outro aspecto que define o empregador é o dever de zelar pela saúde e integridade física de cada colaborador. Isso significa que, durante a jornada de trabalho, todas as medidas de precaução devem ser tomadas. 

Por exemplo, a Norma Regulamentadora 31 determina que os funcionários das empresas sejam instruídos na prevenção de acidentes. Isso inclui noções de primeiros socorros, combates contra incêndios, entre outras determinações. 

Além disso, a NR 31, no item 31.6.1, também estabelece que: 

“É obrigatório o fornecimento gratuito aos trabalhadores de Equipamentos de Proteção Individual – EPI, nos termos da Norma Regulamentadora nº 6 – Equipamentos de Proteção Individual – EPI.”

Em suma, mais do que visar lucro ou dirigir uma empresa, ser empregador é lidar com vidas cotidianamente. E para isso, é preciso entender bem o seu papel dentro da empresa e aprender a cultivar relações humanizadas com os funcionários. 

Qual o papel do empregador dentro da empresa?

O papel do empregador dentro da empresa se divide em três esferas. A primeira delas está inserida no poder hierárquico do empregador, ou seja, sua força de comando. Esse poder é assegurado pela legislação e garantido por contrato de trabalho com os empregados. 

Na prática, o poder hierárquico de um empregador é o de chefia. Nesse aspecto, espera-se respeito e prestação de contas à figura do patrão. Usando uma figura geométrica como o triângulo, por exemplo, pode-se dizer que o empregador representa o topo. 

O segundo elemento que define o papel do empregador é o princípio da alteridade. Esse termo significa se colocar no lugar do outro, o que está ligado a assumir riscos, como mencionado na CLT. 

Aqui, é importante mencionar que assumir riscos significa que na condição de qualquer adversidade, o empregado será poupado. Isso porque quem responde pela empresa é o empregador, seja para colher os bônus ou ônus do serviço prestado. 

Por fim, o terceiro item tem a ver com o poder diretivo do empregador. Em outras palavras, a sua posição de liderança. Perceba que estar no topo hierarquicamente, como dito no primeiro item, e ser líder não significam a mesma coisa. 

O poder diretivo se divide em três etapas: 

  • Poder de organização – O empregador distribuirá as tarefas, assinalará equipes e montará um planejamento estratégico baseado em seu plano de trabalho;
  • Poder de controle – É preciso estar atento às atividades profissionais dos empregados e exercer um papel de fiscalização; 
  • Poder disciplinar – Aqui, cabe ao empregador apontar irregularidades e aplicar as devidas medidas disciplinares, sejam elas de advertência ou punição.  

Ao dominar todas as atribuições destes três poderes, o empregador poderá conduzir seu empreendimento na direção da prosperidade. No entanto, é necessário lembrar que no meio de todas essas relações há pessoas. 

Por isso, cabe ao empregador respeitar o capital humano de sua empresa e nutrir com os colaboradores relações de respeito. Falaremos mais sobre isso a seguir. 

Como ter uma boa relação Empregador e Empregado?

Primeiramente, para ter uma boa relação empregador e empregado, é essencial desenvolver empatia. De acordo com a psicologia, ter empatia é compreender os sentimentos, ideias, desejos e ações dos outros. 

Assim, as pessoas produzem mais e demonstram maior felicidade e bem-estar com seu emprego. Afinal, elas passam a se sentir compreendidas e apoiadas pelo empregador. Ou seja, o exercício de suas funções se torna significativo.  

E como alcançar essa relação positiva, saudável e empática no trabalho? Existem alguns caminhos. 

Comunicação transparente

O primeiro caminho é o da comunicação transparente. Não deixe que as pessoas caminhem no escuro dentro da empresa. Seja claro, direto e objetivo ao expressar comandos. Fale sobre as metas da empresa e compartilhe ideias e receios. 

Uma empresa é um organismo vivo. Por mais que o empregador seja o cérebro, nessa metáfora, os empregados são os demais órgãos. É preciso haver sincronismo e uma relação de trocas para o bom funcionamento do corpo. Nesse caso, da empresa. 

Para ajudar na comunicação, escolha ferramentas que possam facilitar a troca de ideias e conhecimentos. Utilize programas de comunicação interna e aposte em canais livres para compartilhamento de opiniões e frustrações. O RH pode ajudar muito com essa estratégia. 

Definição clara de regras

Aproveite que está melhorando a comunicação na sua empresa e defina novamente as regras. Desta vez, seja mais claro e eficiente na transmissão das expectativas da empresa para com os funcionários. Não deixe nada subentendido. 

Quando todos sabem o que é esperado e quais são suas funções e deveres, os ruídos de comunicação diminuem. Além disso, fica mais fácil direcionar novos contratados após o processo de admissão. Lembre-se: a jornada de onboarding não pode deixar dúvidas. 

Estabeleça, também, um local para disponibilizar as regras escritas e os combinados da empresa. Aposte em diretórios digitais, como as mídias sociais, ou em canais físicos, como os murais ou o quadro de recados da empresa. 

Feedback construtivo

imagem de um homem e uma mulher sentados conversando

Mais do que receber censuras e reprovações, a pior coisa que pode acontecer a um funcionário é nunca saber o valor do seu trabalho. Por isso, crie o hábito de oferecer um feedback para instruir, corrigir ou mesmo elogiar o desempenho do empregado. 

No entanto, esse feedback precisa ser construtivo. Ou seja, as palavras precisam ser direcionadas à edificar novos conhecimentos ou apontar caminhos. O funcionário precisa sentir que está sendo orientado, não desestimulado. 

Uma ferramenta que pode ajudar nesse processo é a comunicação não-violenta. Criada na década de 60 para mediação de conflitos, a CNV pode ser útil para saber como falar e como praticar a escuta ativa com o outro. 

Employer branding

O employer branding é um conjunto de técnicas para melhorar a maneira como a empresa se posiciona, tanto externa quanto internamente. 

No que diz respeito à relação empregador e empregado, trata-se de criar uma imagem de que a sua empresa é um bom lugar para trabalhar. 

Com isso, é possível construir uma marca sólida no mercado e ampliar a retenção de talentos. Afinal, uma empresa que gera pertencimento não motiva o colaborador a buscar outras oportunidades. 

Mais do que isso: quem está fora quer fazer parte do projeto. Nesse ponto, a atração de talentos funciona como um ímã, trazendo os melhores do mercado para participar de processos seletivos e recrutamentos. 

Definição de prioridades na contratação

Um elemento importante a ser considerado são os critérios de contratação da sua empresa. É claro que, para algumas vagas, é preciso dar maior ênfase às hard skills do candidato. No entanto, priorizar soft skills pode ser uma boa forma de liderar com empatia. 

Outra forma de desenvolver uma contratação mais humanizada é inovando nos processos de recrutamento e seleção. Atualmente, existem maneiras mais justas de escolher o melhor candidato baseando-se apenas em suas habilidades. 

Uma dessas formas é o recrutamento às cegas. Esse tipo de recrutamento desconsidera fatores físicos e de aparência, sendo melhor visto pelo mercado. Assim, além de ganhar pontos com os candidatos, ainda favorece o employer branding. 

Valorização do funcionário

Por fim, nenhuma empresa cresce sem valorizar o funcionário. Hoje, entende-se que apesar do empregador estar no topo da pirâmide, quem conduz os negócios é a base. Ou seja, os colaboradores e a força de trabalho da sua companhia. 

Assim sendo, aposte no seu pessoal. Primeiro, assegure educação de qualidade com treinamentos, workshops, palestras e cursos oferecidos pela empresa. Quanto mais um setor desenvolve competências profissionais, melhor ele opera. 

Segundo, cuide da saúde mental dos colaboradores. Implemente programas para denúncias de abusos ou qualquer tipo de irregularidade comportamental. Ofereça auxílio psicológico a quem precisar. Abra espaço na sua agenda para conversas e esteja presente. 

Por fim, para cultivar uma boa relação com os empregados, seja humano. Nenhum empregador é uma máquina, e todos os seus funcionários sabem disso. Compartilhe seus medos e anseios e observe como essa atitude simples humaniza as relações de trabalho.

Principais desafios de um empregador

Saber seus deveres, funções e estabelecer uma boa relação com os empregados não significa que o empregador não tenha mais desafios. Existem muitos outros fatores que podem fugir do controle e gerar situações complicadas. 

Para mencionar alguns, vamos falar de três das áreas mais imprevisíveis do mercado: pessoas, legislação e tecnologia. No entanto, não se preocupe. Para cada problema apresentado, haverá uma dica de como solucioná-lo. 

Lidar com gestão de pessoas

Mesmo seguindo todos os conselhos de boas práticas de relacionamento, você ainda precisará aprender muito sobre pessoas. Cada uma delas é um universo de necessidades e demandas que precisam ser atendidas cotidianamente. 

E isso não é necessariamente ruim. Em muitos aspectos, uma boa gestão de pessoas é o que trará os resultados que você procura. Mas, para isso, é preciso de um setor bem equipado e treinado. 

Solução: invista em contratações significativas para o seu time de RH. Busque ferramentas e softwares que contribuam com uma gestão de pessoas minuciosa, automatizando o que for preciso. Assim, é possível concentrar esforços no que realmente importa. 

Cumprir todas as normas da CLT

imagem de uma carteira de trabalho ao lado de um carimbo, uma caneta e um papel

A CLT está em constante mudança. Isso porque a todo momento, surgem novas emendas de lei, portarias e medidas provisórias. É preciso estar atento para seguir todos os protocolos e manter sua empresa em conformidade com os regulamentos. 

Por vezes, ocorrem situações em escala global que mudam todo o panorama corporativo. Um exemplo foi a pandemia do COVID-19, que demandou isolamento e regime de trabalho remoto. Assim, as leis e parâmetros precisavam ser alterados em caráter emergencial. 

Solução: eduque o setor estratégico a acompanhar as leis e adotar medidas preventivas em casos como esse. Para isso, a confecção de um procedimento operacional padrão (POP) pode ser uma ferramenta valiosa. 

Acompanhar a tecnologia

O último ponto é, talvez, o mais complexo dos três. A tecnologia está em constante transformação e otimização. Um exemplo disso é a evolução dos equipamentos de hardware de ano a ano, tornando-se obsoletos rapidamente. 

Mesmo os setores que lidam de forma direta com tecnologia precisam de alguma organização e estudo para lidar com as novidades. É preciso estar atento às inovações e às novas ferramentas sendo lançadas no mercado. 

Solução: criar um departamento de pesquisa na empresa e oferecer treinamentos para novas ferramentas e soluções. Uma forma dinâmica de fazer isso é promovendo hackathons entre o pessoal de tecnologia para fomentar novas ideias. 

Como o RH pode ajudar o empregador? 

Para finalizar, o RH pode ser um grande aliado para o empregador durante todo o processo. Na posição de mediador, os funcionários de recursos humanos podem apontar erros na gestão de pessoas. Além disso, podem fazer uma triagem de colaboradores que precisem de apoio. 

Lembre-se de que você, como empregador, precisa ser o modelo de funcionário. Pergunte ao RH se você seria contratado, caso estivesse em um dos processos seletivos da empresa. 

Observe se você passa por todos os critérios de admissão da empresa. Esse exercício pode ajudá-lo a entender se as expectativas estão sendo realistas. Assim, ao se colocar na posição do empregador, você pratica a empatia e a alteridade ao mesmo tempo!

Conclusão

Entende-se que os maiores desafios de um empregador estão situados em duas vertentes. A primeira é o que ele pode controlar. Já a segunda, o que está além do seu controle. 

Os caminhos que podem ser controlados são baseados em atitudes. Por exemplo, melhorar a comunicação na empresa, dar feedbacks construtivos e valorizar o empregado. Em termos práticos, são investimentos que rendem frutos.

Por outro lado, existem imprevistos como novas tecnologias e mudanças na lei. Esse caminho faz com que seja necessário atuar na prevenção e reduzir os danos como for possível, se eles acontecerem. 

Ser empregador não é uma ciência exata. Por mais que se possa estudar e prever o mercado, sempre haverá um elemento variável. Portanto, mantenha a calma, faça o seu melhor e acredite no seu pessoal. 

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