O mercado de trabalho brasileiro está em constante transformação e isso é impulsionado por mudanças tanto econômicas quanto tecnológicas e sociais. Essas alterações mudam rapidamente a dinâmica de oferta e demanda de trabalho.
Conforme o relatório Future of Jobs Report 2025, entre 2025 e 2030, as mudanças no mercado de trabalho vão gerar muitas movimentações de empregos. Uma delas é que cerca de 8% dos empregos atuais (92 milhões) devem ser substituídos ou desaparecerão.
Nesse sentido, é importante entender que a digitalização, a automação, a globalização e as novas formas de trabalho também têm exigido adaptação contínua de empresas e trabalhadores. É necessário, portanto, estar a par de todas as nuances relativas a isso.
Para tratar o assunto em detalhes, este artigo abordará os seguintes tópicos:
- O que é demanda de trabalho?
- Quais fatores influenciam a demanda de trabalho?
- Quem mede a demanda por profissionais?
- Quais setores estão com maior demanda de profissionais?
- Quais profissões estarão em alta no futuro?
- Como a empresa pode se preparar para atender a essa demanda?

Continue acompanhando e tenha uma boa leitura!
O que é demanda de trabalho?
A demanda de trabalho é a quantidade de mão de obra que as empresas e organizações estão dispostas a contratar a um determinado nível salarial em um período específico.
Ou seja, é o número de trabalhadores que os empregadores precisam para manter suas operações funcionando eficientemente e atender às necessidades do mercado. Ela muda de acordo com fatores como o setor econômico e a época do ano — o Brasil, por exemplo, gerou quase 700 mil empregos só no primeiro trimestre de 2025.
Qual o papel das políticas públicas na geração de novos postos e trabalho?
As políticas públicas têm um grande papel no que diz respeito à geração de novos postos de emprego, aumentando a demanda de trabalho, afinal, influenciam diretamente a dinâmica do mercado de trabalho e a capacidade das empresas de contratar.
Por meio de incentivos econômicos, como redução de impostos, subsídios e linhas de crédito, o governo brasileiro pode estimular empresas a expandirem suas atividades. O resultado disso é a criação de novas vagas de emprego.
Outro jeito importante de atuação do governo é o investimento em certos setores, como infraestrutura, tecnologia e educação. Tais investimentos geram demanda de trabalho em novas áreas, criando vagas de emprego e impulsionando o desenvolvimento econômico.
Quais fatores influenciam a demanda de trabalho?
Vários fatores influenciam a demanda de trabalho. Os fatores econômicos, tecnológicos e sociais são exemplos disso, visto que determinam quantos trabalhadores as empresas precisam contratar em determinado período. Entenda as particularidades a seguir:
- Atividade econômica: períodos de crescimento estimulam contratações, ao passo que recessões reduzem a demanda por mão de obra;
- Tecnologia: automação, inteligência artificial e digitalização podem tanto reduzir quanto criar novas oportunidades de trabalho;
- Políticas governamentais: as regulamentações trabalhistas (a CLT, por exemplo), os incentivos fiscais e os programas de qualificação impactam a contratação;
- Preferências dos consumidores: mudanças nos hábitos de consumo determinam quais setores crescem e demandam mais profissionais;
- Fatores demográficos: o envelhecimento da população e a migração também alteram a disponibilidade e a composição da força de trabalho.
Impactos da tecnologia, automação e IA na demanda
A tecnologia, a automação e a inteligência artificial (IA) têm um impacto profundo na demanda de trabalho, com efeitos que podem ser positivos e negativos. Mas o que determina isso é o setor de aplicação e a forma como são implementadas.
Por um lado, essas inovações podem reduzir a necessidade de mão de obra em tarefas repetitivas ou operacionais: máquinas e sistemas, por exemplo, conseguem executar funções de forma mais rápida e econômica. A diminuição da demanda de trabalho em linhas de produção industrial pode acontecer por conta disso.
Sobre isso, o cientista de dados Alexandre Lopes destaca o seguinte:
“Vamos conseguir automatizar vários processos manualmente. A maioria do que realizamos hoje, até mesmo de call center, serão passíveis de automatização. Na facilidade que ele traz para o mundo, reduzindo todas as atividades que são feitas, vai gerar uma revolução na forma como trabalhamos”
Por outro lado, a tecnologia e a IA também criam novas oportunidades de emprego, ainda mais em áreas que envolvem desenvolvimento, manutenção e supervisão de sistemas tecnológicos. Exemplos disso são a programação, a cibersegurança e a robótica.
Influência da economia na demanda de trabalho
A economia influencia diretamente a demanda de trabalho. Períodos de crescimento incentivam empresas a contratar mais, aumentando salários e oportunidades para os trabalhadores. Contudo, em recessões, as empresas contratam menos, elevando o desemprego.
Além disso, setores distintos são afetados de formas diferentes: alguns podem expandir mesmo em crises, porém, outros sofrem cortes significativos. Esse tipo de movimentação altera o perfil das ocupações mais procuradas e influencia a distribuição de renda no país.
Diferença entre demanda de trabalho no curto, médio e longo prazo
A demanda de trabalho no curto prazo está ligada a necessidades imediatas das empresas, como substituir faltas ou atender picos de produção sazonais, sem grandes mudanças na estrutura produtiva.
No médio prazo, por outro lado, essa demanda envolve ajustes mais estratégicos, como a expansão de equipes, o treinamento de funcionários e a adaptação a novas tecnologias, acompanhando tendências do mercado.
Já no longo prazo, a demanda de trabalho reflete as transformações estruturais da economia. A exemplo disso estão as mudanças tecnológicas, demográficas ou setoriais, que redefinem profissões, habilidades exigidas e setores com maior crescimento.
Quem mede a demanda por profissionais?

A demanda por profissionais é medida por diferentes agentes e instituições, de forma a mapear necessidades de mão de obra no mercado de trabalho. Entre os principais agentes estão:
- Governo: órgãos como o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e o Ministério do Trabalho coletam dados sobre emprego, ocupação e vagas, gerando estatísticas oficiais;
- Instituições de pesquisa e observatórios setoriais: realizam estudos específicos por setor ou região, como o Observatório Nacional da Indústria;
- Empresas e consultorias privadas: analisam tendências de mercado, ofertas de emprego e habilidades demandadas para orientar contratações e planejamento estratégico.
Como a demanda de trabalho é medida?
A demanda de trabalho é medida por meio de diversos indicadores que refletem a necessidade de mão de obra pelas empresas e organizações. Um deles é a oferta de emprego e anúncios de vagas, que indica diretamente quantos profissionais as empresas estão buscando contratar em diferentes setores e regiões.
Outros indicadores são:
- População ocupada: mostra o número total de pessoas empregadas em dado período;
- Taxa de desocupação: mede a proporção de pessoas em busca de trabalho, mas que não encontram;
- Taxa de participação: indica a parcela da população em idade ativa que está trabalhando ou buscando trabalho.
Há, ainda, outros dois indicadores importantes para mensurar a demanda de trabalho. Trata-se da massa salarial, que analisa a evolução da remuneração, e das pesquisas setoriais e por ocupação, como levantamentos de instituições públicas ou privadas que detalham a necessidade de profissionais em diferentes áreas e níveis de qualificação.
Quais setores estão com maior demanda de profissionais?
Os setores com maior demanda de profissionais no Brasil refletem mudanças econômicas e tecnológicas, sobretudo devido à digitalização. Nesse sentido, Tecnologia da Informação está entre as áreas de maior procura, buscando desenvolvedores, analistas de dados e especialistas em cibersegurança.
O setor de saúde também apresenta alta necessidade de mão de obra, incluindo médicos, enfermeiros e técnicos, motivado pelo envelhecimento da população e pelas crises sanitárias. Já as áreas de construção e de infraestrutura demandam engenheiros, técnicos e operários qualificados, impulsionados por novos projetos urbanos.
Outros setores em expansão incluem: serviços profissionais e administrativos, com oportunidades em contabilidade e gestão; agronegócio e indústria, que necessitam de operadores industriais e manutenção; e energia e sustentabilidade, voltados às energias renováveis e economia verde.
Quais profissões estarão em alta no futuro?

Para entender quais as profissões que estarão em alta futuramente no Brasil, é importante analisar os dados fornecidos pelo Mapa do Trabalho Industrial 2025–2027. O estudo identifica a demanda futura por trabalhadores em diversas áreas. Especificamente, elas são:
- Logística e transporte: 8.178.599;
- Construção: 4.449.988;
- Metalmecânica: 3.280.012;
- Operação industrial: 3.512.523;
- Manutenção e reparação: 2.804.128;
- Alimentos e bebidas: 2.049.961;
- Tecnologia da Informação: 1.944.108;
- Tecnologia e engenharia: 1.818.872;
- Serviços administrativos: 1.560.724;
- Têxtil e vestuário: 1.376.369.
O estudo usa modelagens econométricas, considerando crescimento econômico, difusão de novas tecnologias e mudanças organizacionais, para projetar o emprego formal até 2027. Por isso, profissionais com formação técnica ou superior nas áreas citadas estarão entre os mais procurados.
Novas habilidades para o mundo do trabalho
No mercado de trabalho atual, impulsionado por tecnologia e automação, novas habilidades digitais são indispensáveis, como programação, análise de dados e cibersegurança. São essas competências que permitem aos profissionais acompanhar a evolução tecnológica.
Além disso, as competências socioemocionais — o pensamento crítico, a criatividade, a capacidade de aprendizado contínuo e a comunicação exemplificam isso — tornam-se fundamentais para se adaptar às mudanças e atender às demandas do mercado futuro.
Como a empresa pode se preparar para atender a essa demanda?
Para atender à demanda crescente por profissionais qualificados, a empresa pode investir em programas internos de capacitação e desenvolvimento contínuo. Essa medida garantirá que seus colaboradores estejam atualizados com as novas tecnologias e processos.
Outra estratégia é estabelecer parcerias com instituições de ensino e treinamento, bem como adotar processos de recrutamento mais ágeis e flexíveis, incluindo a contratação de temporários, profissionais especializados em áreas mais estratégicas e freelancers.
Dicas práticas para o RH fazer melhores contratações no trabalho atual
Para otimizar o processo de contratação, o RH pode começar definindo claramente o perfil profissional que deseja. É uma maneira de alinhar as competências técnicas e comportamentais às necessidades estratégicas da empresa.
Nesse sentido, investir em testes práticos e dinâmicas de avaliação também auxilia na hora de identificar os candidatos com habilidades reais (contratação por habilidade). Além disso, a empresa também deve usar dados de mercado para prever tendências de demanda e selecionar talentos mais alinhados ao futuro do trabalho.
Conclusão
Como foi possível compreender, o cenário atual é marcado por transformações constantes, por isso, compreender a demanda de trabalho e suas tendências é muito importante para as empresas e os profissionais.
Partindo disso, investir em qualificação, conseguir antecipar as habilidades exigidas e adotar estratégias flexíveis de gestão de pessoas são medidas necessárias para acompanhar as mudanças do mercado e garantir competitividade.
Afinal de contas, ao alinhar planejamento estratégico e desenvolvimento profissional e inovação, fica mais viável transformar os desafios do futuro em oportunidades e, dessa forma, promover um mercado de trabalho mais ágil e preparado para as mudanças.
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